
Adaptações em live-action de animes/mangá nunca tiveram uma boa recepção de público e crítica, e com toda razão. Não posso falar muito das produções japonesas do tipo, já que assisti pouquíssimas, mas quando Hollywood se mete a tentar realizá-las foi quase sempre um desastre completo. Death Note (2017), A Vigilante do Amanhã (Ghost in the Shell, 2017), Cowboy Bebop (2021) – que, confesso, nem acho tão ruim assim -, sem falar no traumático Dragonball Evolution (2009), que chega a ser ofensivo de tão horroroso. Acredito que haja sim algum precedente em se falando de boas adaptações, e tenho certeza que os fãs mais ávidos das produções orientais poderão apontar um ou outro, mas o fato é que transpor as cores, os movimentos, as insanidades e, principalmente, o espírito típico dos animes/mangás para o realismo intrínseco do live-action é um enorme desafio exatamente porque algumas histórias e segmentos destas linguagens são muito próprias das possibilidades que só existem no traço de um mangaká/animadore. Ou ao menos só existiam até agora.
Com as novas tecnologias (algumas nem tão novas assim, vide Senhor dos Anéis e outras produções vanguardistas de efeitos visuais computadorizados do início deste século) as possibilidades do que é realizável em live-action se expandiram consideravelmente. A própria linha que separa animação digital e imagens reais gravadas está cada dia mais tênue, nos levando até mesmo a nos perguntar o que ainda podemos chamar de animação e live-action (basta lembrar das discussões levantadas com o “live-action” de O Rei Leão de 2019). Mas ainda assim, mesmo que estes avanços técnicos já sejam um passo enorme, nem só de efeitos visuais uma adaptação de mangá/anime é feita. Este “espírito” que mencionei antes, vai além de elementos culturais e técnicos transpostos em tela, também é composto de uma capacidade de conexão emocional, uma espécie de paixão que envolve o leitor/expectador e cria um vínculo extremamente potente entre obra e público que é difícil de explicar.

E eis que chegamos em 2023 com expectativas bastante moderadas devido ao histórico de adaptações passadas. Afinal, não seria uma adaptação de qualquer mangá/anime, mas de uma das mais populares e amadas obras de todos os tempos (isto se falando de arte como um todo e em qualquer lugar do mundo), rivalizando apenas com Naruto e Bleach (com quem forma o chamado “Big Three”, os três maiores expoentes dos mangás shonen dos anos 2000) e com sucessos de vendas como Dragon Ball e seus derivados. One Piece já reunia, desde seu lançamento em 1997 e sua adaptação para anime à partir de 1999, um séquito de admiradores apaixonados prontos para defender Luffy e seus Chapéus de Palha como se fizessem eles mesmos parte da tripulação. Tanto o mangá quanto o anime foram crescendo em sua rica mitologia e narrativa extremamente empolgante graças ao já lendário criador Eiichiro Oda e sua incrível capacidade criativa, mesclando referências culturais e narrativa de aventura com subtextos políticos e debates sociais. Dito isto, a produção seriada em live-action anunciada anos antes não empolgou muito público e fãs, ainda que houvesse, claro, sempre uma curiosidade sobre como fariam, afinal, além de tudo, One Piece é uma obra de fantasia que podemos chamar de raiz, com um dos mais inventivos worldbuilding (construção de mundo) que eu já vi em obras desse gênero, além de uma história longa e complexa, o que contribuía imensamente para a descrença dos fãs para as possibilidades de uma adaptação.
Mas então vimos um milagre acontecer. A primeira temporada da série, contendo oito episódios de cinquenta e poucos minutos de duração cada um em média, pegou absolutamente todo mundo de surpresa, entregando uma produção extraordinariamente coerente e uma ambientação e transposição de elementos visuais e icônicos simplesmente impecáveis. Todos os detalhes, sem nenhum exagero, TODOS os detalhes da obra, desde o vestuário usado pelos personagens (até mesmo os mais secundários) até as personalidades de cada um, passando por uma literal adaptação da história, para que fosse feita uma obviamente necessária sintetização dos acontecimentos que deveriam ser resumidos em um tempo muito mais reduzido em relação ao material original. Foi tudo perfeito, ou ao menos o mais perfeito que se poderia esperar. E tudo isso só foi possível, primeiro, pelo orçamento considerável presente na aposta da Netflix, visando sabiamente o público já consolidado da obra; segundo, pelo fenomenal elenco, que parece ter incorporado seus referenciais originais de uma forma quase sobrenatural; e por último, pela presença e total poder dentro da produção do genial criador, Eiichiro Oda, que juntamente com os showrunners Matt Owens e Steven Maeda, obraram um dos maiores milagres que eu já testemunhei no audiovisual.
A produção de uma segunda temporada dependia do sucesso da primeira, e logrado este objetivo, os trabalhos para dar continuidade ao milagre entraram em curso, afinal, o desafio inicial era complexo, convencer o público (fãs ou não, mas especialmente fãs) de que o que parecia impossível poderia sim ser feito. Mas o desafio não encerraria por aí, muito pelo contrário, conforme avançamos na história e a conhecemos mais da mitologia e do que compõe aquele universo, a criatividade de Oda parece expandir como o corpo do próprio Luffy e mais e mais elementos fantásticos são introduzidos, tornando a dificuldade de adaptação cada vez maior. Por isso, mesmo que a empolgação crescesse a cada revelação publicada sobre a produção do segundo ano da série, havia sempre o medo de que a qualidade da produção não só não se mantivesse como possivelmente caísse. Mas felizmente, muito felizmente, estávamos completamente equivocados em nossa desesperança.

A partir daqui é possível que hajam leves spoilers sobre a segunda temporada da série e do material original.
A segunda temporada de One Piece segue agora com a tripulação dos Chapéus de Palha já estabelecida, com o capitão Monkey D. Luffy (Iñaki Godoy), a navegadora e cartógrafa Nami (Emily Rudd), o espadachim Roronoa Zoro (Mackenyu), o atirador de elite e mentiroso profissional Usopp (Jacob Romero) e o cozinheiro Sanji (Taz Skylar), e rumando em direção ao grande tesouro do Rei dos Piratas. E por falar nele, a primeira parada antes de a jornada tomar um rumo ainda mais perigoso é a ilha onde fica Loguetowm, conhecida como “a cidade do início e do fim”, por ter sido o local de nascimento e de morte do Rei dos Piratas Gol D. Roger, e local onde se iniciou a Grande Era dos Piratas com o anúncio de Roger sobre seu tesouro e o desafio para quem quiser procurá-lo no fim da Grand Line.
Neste primeiro episódio, intitulado exatamente “The Beginning and the End”, temos alguns dos eventos mais importantes que trarão consequências à jornada do grupo, à construção da personalidade de todos e é onde os Chapéus de Palha começam a ser percebidos e levados mais a sério pelos poderosos, tanto da Marinha quanto entre os piratas veteranos. Somos apresentados a mais alguns personagens que serão importantes daqui pra frente, como o vice-almirante da Marinha Smoker, o caçador branco (Callum Kerr), e sua subordinada, a especialista em espadas Tashigi (Julia Rehwald), que irão perseguir Luffy e seu bando em sua passagem para a Grand Line, além da misteriosa organização criminosa conhecida como Baroque Works e seus perigosos membros, com destaque para a poderosa Miss All Sunday (Lera Abova). Vemos momentos-chave como Zoro na loja de espadas e o raio que salva Luffy da morte certa pelas mãos da aliança Buggy (Jeff Ward) e Alvida (Ilia Isorelýs Paulino), e a percepção de Smoker de que há algo incomum na reação do pirata que estica mesmo estando prestes a morrer. Interessante notar também a introdução de Bartolomeo (Nahum Hughes), um personagem que pode até passar despercebido para os novatos na obra de Oda, mas que originalmente só aparece muito a frente na história. Mas a antecipação de sua presença só mostra como os roteiristas já estão pensando muito adiante ao adaptar o material original, tendo o cuidado de encaixar as peças certas em momentos oportunos, para que o enorme quebra-cabeça que é One Piece se monte mais perfeitamente. Ao finalzinho do episódio ainda temos uma pequena mostra da silhueta de um personagem que terá uma importância significativa mais a frente, o jovem revolucionário Sabo.

No segundo episódio, “Good Whale Hunting”, a tripulação dos Chapéu de Palha finalmente encontram a entrada para a Grand Line, que nada mais é do que uma montanha por onde a maré sobe (isso mesmo) até o topo e depois desce contornando-a e permitindo – de forma bastante perigosa – que os navegantes atravessem. Toda a complicada geografia da mundo de One Piece, ou ao menos parte dela, nos é explicada por Nami no decorrer do episódio. Mas como se não bastasse a dificuldade imensa da travessia os piratas se deparam na descida com uma gigantesca baleia que engole o navio Going Merry e todos que nele estão, com exceção de Luffy que escapa usando seus poderes de elástico. Aqui algumas adaptações são feitas, todas elas muito compreensíveis e aceitáveis: ao invés de Crocus (Clive Russell) viver numa ilha dentro da baleia, como no mangá e no anime, ele é o guardião da passagem dos Cabos Gêmeos em um farol na encosta da montanha. É então que o personagem nos conta a dramática história da baleia, que se chama Laboon, e o motivo de ela encontrar-se naquele local e de sua constante hostilidade, e temos aqui uma das primeiras grandes surpresas (especialmente para os fãs veteranos), pois no flashback que conta a história de Laboon somos presenteados com ninguém mais do que o pirata músico Brook (Martial Tchana Batchamen), cantando e tocando em seu violino uma versão da famosa cantiga pirata “Saquê de Binks”. Obviamente é a versão “encarnada” de Brook, antes de comer sua Akuma no Mi e se tornar “puro osso”, e felizmente fizeram o correto e o retrataram como um homem negro, condizendo perfeitamente com seu estilo e visual. Enquanto isso, o núcleo composto pelo vice-almirante Garp (Vincent Regan) e pelos cadetes Koby (Morgan Davies) e Helmeppo (Aidan Scott) continuam sua busca por Luffy e companhia.
Ainda neste episódio somos apresentados a mais dois integrantes da Baroque Works, Miss Wednesday (Charithra Chandran) e Mr. 9 (Daniel Lasker), sendo a primeira uma personagem que terá uma grande relevância não apenas nesta temporada como na vindoura. Ambos dentro da baleia, entram em conflito com os Chapéus de Palha que foram engolidos. Toda a narrativa envolvendo Laboon e Luffy, que imediatamente acolhe a baleia por sua comovente história, ainda que precise encontrar uma maneira de tirar seus companheiros de dentro da mesma, acaba por apresentar toda a sensibilidade que o evento pede, mostrando mais uma vez que One Piece é uma mistura extremamente bem sucedida de ação e emoção.

Em “Whisky Business”, terceiro episódio, o grupo chega em Cactus Island, a primeira ilha da Grand Line, e são recebidos estranhamente bem pelos habitantes, justificando o apelido que o lugar recebe de Cidade da Hospitalidade. Mas é claro que não demoraria muito para uma armadilha se revelar, mostrando que na realidade o lugar é uma base secreta da Baroque Works e abriga centenas de criminosos à mando da organização, inclusive o homem que se apresentou como prefeito, que se revela ser o Mr. 8 (Yonda Thomas). O episódio conta com cenas de combate impressionantes, com destaque para a luta de Zoro contra nada menos que CEM oponentes no bar. Luffy é atacado por Miss Wednesday, que havia escapado após a fuga de dentro da baleia, e que depois revela ser a Princesa Nefertari Vivi e estar infiltrada na organização criminosa junto com Igaram (verdadeira identidade de Mr. 8) para tentar impedi-la de destruir o reino de Alabasta. Mr. 5 (Camrus Johnson) e sua companheira Miss Valentine (Jazzara Jaslyn), ambos usuários de Akuma no Mi, chegam para tentar deter os traidores para que não revelem a real identidade do líder, Mr. 0.
Ao final do episódio, após o emocionante sacrifício de Igaram para permitir a fuga de Vivi e dos Chapéus de Palha, o navio é invadido por Miss All Sunday que, ao invés de atacar a tripulação oferece uma ajuda em forma de aviso, de que a próxima ilha em que o grupo chegará é extremamente perigosa, e dá a eles um eternal pose, instrumento que os guiaria diretamente para Alabasta, onde a princesa precisa chegar com urgência. Porém, Luffy prefere recusar o presente e ignorar o aviso a ter que obedecer a uma criminosa da Baroque Works e decide prosseguir.

Em seguida, no episódio quatro “Big Trouble in Little Garden”, o grupo dos piratas do Chapéu de Palha chega a Little Garden, uma ilha pré-histórica esquecida no tempo, habitada por criaturas como dinossauros e uma vegetação extremamente ameaçadora. Mas nada se compara a o que estava por vir, pois além de todos os riscos há ainda dois gigantes habitando a ilha, os quais entram em batalhas “até a morte” de tempos em tempos numa disputa que já leva um século (todos os embates acabaram em empate até agora). Os gigantes são os guerreiros Brogy (Brendan Sean Murray) e Dorry (Werner Coetser), que apesar de seus tamanhos descomunais e aparência assustadora acabam se revelando bastante amigáveis, criando até mesmo um forte laço de amizade com alguns membros do bando, especialmente entre Brogy e Usopp, e preciso comentar que o aprendizado envolvendo esta amizade me tocou profundamente assim como quando assisti o anime e talvez até mais.
Entretanto, a Baroque Works continuava no encalço dos Chapéu de Palha com o objetivo de deter Vivi e o segredo que a princesa de Alabasta guarda, e somos apresentados a mais dois membros da organização, os perigosos Mr. 3 (David Dastmalchian) e Miss Goldenweek (Sophia Anne Caruso). O quinto episódio, intitulado “Wax On, Wax Off”, fecha os eventos iniciados no anterior e é um dos mais tensos da temporada. Os poderes de Miss Goldenweek e de Mr. 3 se mostram inesperadamente cruéis, além disso presença dos humanos na ilha acaba interferindo na luta dos gigantes, colocando um deles em risco de vida.

Os três últimos episódios, respectivamente “Nami Deerest”, “Reindeer Shames” e “Deer and Loathing in Drum Kingdom”, adaptam o arco do Reino de Drum, quando somos apresentados finalmente a uma das maiores expectativas desta temporada, a rena falante, Dr. Tony Tony Chopper, que se tornará membro fixo da tripulação de Luffy. Após os eventos em Little Garden Nami começa a apresentar sintomas de alguma doença estranha o que força o grupo a buscar um médico com urgência e a próxima ilha era exatamente conhecida por ter excelentes profissionais de saúde, porém eventos anteriores no reino, que depois nos são explicados através de flashbacks de Vivi, levaram o Reino de Drum a uma crise de governabilidade, com o tirano rei Wapol (Rob Colletti) no poder. Enquanto Vivi, Usopp e Zoro ficam na cidade se recuperando e entendendo melhor a situação dos habitantes da cidade, Luffy e Sanji partem montanha acima levando Nami para ser cuidada pela última médica em liberdade restante na ilha. Na parte final do episódio seis, quando chegam ao castelo no alto da montanha debaixo de muita neve, temos então a apresentação do adorável Chopper (voz original de Mikaela Hoover) e da amarga Dra. Kureha (Katey Sagal).
Não imagino como o querido Chopper pudesse ter sido feito de uma maneira melhor. Antes de sua primeira aparição em um dos trailers lançados eu imaginava que haveria a possibilidade de Chopper ser realizado com animatrônicos, já que a série desde sua primeira temporada sempre prezou bastante por efeitos práticos sempre que possível, no entanto, por Chopper ser um membro fixo da série com incontáveis aparições futuras como parte do grupo dos Chapéu de Palha, concluí que criá-lo com animatrônicos poderia ser caro ao mesmo tempo que talvez não alcançasse um resultado satisfatório. Felizmente, com o orçamento recheado disponibilizado pela Netflix nesta temporada após o sucesso de sua antecessora, foi possível desenvolver um Chopper (em seu formato tradicional) de forma digital através da famosa técnica de captura de movimento usada atualmente em grandes produções, onde até as mínimas expressões faciais e trejeitos corporais de uma atriz real (N’kone Mametja) refletissem no resultado final, nos presenteando todo o carisma e a fofura que a personagem merece.

Logo em seguida, no episódio sete, conhecemos a comovente e dolorosa história de Chopper, contada pela Dra. Kureha/Doctorine, e o que o levou a sonhar em ser o maior médico de todos os tempos. Seu salvador e mentor, o Dr. Hiriluk (Mark Harelik) foi um dos últimos a se rebelar contra o despotismo do rei Wapol e tinha como objetivo de vida encontrar a cura para todas as doenças existentes. O trágico fim do médico e o luto sentido por Chopper após sua perda é apenas a ponta do iceberg da história do guaxinim da rena falante, pois seus traumas envolvendo a perseguição que sofre ao ser identificado como um monstro da floresta criou uma enorme insegurança em ter contato com outros seres humanos, constituindo assim um paradoxo, já que o maior sonho de Chopper é exatamente cuidar da saúde das pessoas.
Paralelamente, através dos flashbacks de Vivi, começamos a entender um pouco mais sobre o complexo contexto político entre os vários reinos, a Marinha e os supremos líderes do Governo Mundial, o que já funciona como pano de fundo para o que veremos em temporadas posteriores. Smoker e Tashigi continuam investigando as pistas sobre Baroque Works e conseguem descobrir alguns fatos importantes sobre os planos da terrível corporação.
A temporada finaliza com o embate dos Chapéu de Palha contra Wapol e seu exército de bestas transformadas pelo bizarro poder do rei após ingerir uma Akuma no Mi, parte dos planos de Mr. 0 para deter Vivi e seus agora protetores da tripulação de Luffy. O episódio é importante para demonstrar como Luffy e seus companheiros são sensíveis a causas das pessoas mais sofridas e injustiçadas, pois, mesmo após a quase completa cura de Nami, os piratas decidem ajudar a libertar o povo de Drum da opressão do terrível ditador de boca de ferro. Claro que a participação nestes eventos acabam por aumentarem ainda mais a fama da tripulação dos Chapéu de Palha, chamando cada vez mais a atenção tanto da Marinha quanto da Baroque Works, o que esquenta o caldo para a próxima temporada, que adaptará o arco de Alabasta, um dos mais profundamente políticos dos primeiros capítulos do mangá.

Algo que preciso mencionar é sobre o trabalho de dublagem da série que, desde sua primeira temporada tem demonstrado um fabuloso cuidado com a localização e na manutenção do espírito da obra original. A equipe responsável pelas vozes da série no Brasil é a mesma da atual dublagem dos anime distribuída nas principais plataformas de streaming do país, a iYuno (antigamente UniDub), estúdio criado por Wendell Bezerra (que dubla Sanji) e direção de dublagem de Glauco Marques (dublador do Zoro). A escolha em manter os dubladores do anime na série foi, ao menos para mim, um acerto maravilhoso, já que para quem assiste ao material original e já é acostumado com as vozes dos personagens, elas acabam se tornando parte fundamental da personalidade dos mesmos. E é maravilhoso perceber como até mesmo os personagens mais secundários tem suas vozes mantidas na adaptação. A única exceção é do protagonista Luffy que no anime é dublado por Carol Valença e na série é substituída por Vyni Takahashi, escolhido após votação do público, porém Carol ainda trabalha na equipe de dublagem como co-diretora.
A temporada, ao meu ver, encerra de maneira inacreditavelmente exitosa, confirmando que o milagre que testemunhamos na primeira temporada não apenas é real, mas como é possível torná-lo ainda melhor. A série consegue o feito inimaginável e dificílimo de construir praticamente o mesmo ambiente e sentimento aconchegante que os materiais originais proporcionam ao seu público, ao mesmo tempo que é capaz de desligar completamente nossa descrença, nos fazendo aceitar com a melhor das vontades os maiores absurdos, em benefício de uma experiência extremamente agradável e empolgante. São quase palpáveis os cuidados de toda a equipe em recriar algo que agrade até mesmo os fãs mais exigentes, tanto estilística e visualmente, quanto na modelagem de uma narrativa muito bem amarrada e coerente, além, é claro, do elenco assustadoramente carismático (dentro e fora da série) e competente, que parece ter entendido perfeitamente o fruto da imaginação genial de Eiichiro Oda.
Que venha Alabasta! Estamos prontíssimos.
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Cineasta e Historiador. Membro da ACECCINE (Associação Cearense de Críticos de Cinema). É viciado em listas, roer as unhas e em assistir mais filmes e séries do que parece ser possível. Tem mais projetos do que tem tempo para concretizá-los. Não curte filmes de dança, mas ama Dirty Dancing. Apaixonado por faroestes, filmes de gângster e distopias.