A Diplomata: 3° Temporada – O equilíbrio perfeito entre política de bastidores, drama e tensão de qualidade

Em meados de 2023, quando o seriado A Diplomata (The Diplomat, 2023 -) estreou na Netflix, foi uma das gratas surpresas daquele ano, por misturar bem drama político e thriller de suspense com toque de conspiração governamental, e ainda alguns momentos de romance envolvendo a recém empossada embaixadora dos EUA no Reino Unido, Kate Wyler (Keri Russell), que acompanhada do marido Hal Wyler (Rufus Sewell), tentando equilibrar a diplomacia sempre turbulenta entre norte americanos e britânicos.

A série da Netflix, que vem como um natural sucessor de ótimos dramas como Ozark (2017 – 2022) e The Crown (2016 – 2023), foi criada por Debora Cahn e se tornou um dos principais dramas do momento, conseguindo fazer uma temporada melhor que a outra. A terceira temporada que estreou no dia 16 de outubro, mais uma vez entrega tudo aquilo que esperamos da série, se aproveitando ainda mais do talentoso elenco que ganhou a adição das presenças ilustres de Allison Janney e Bradley Whitford.

Se ainda não viu as duas primeiras temporadas, sugiro que pare por aqui, pois esta análise irá trazer alguns spoilers para contextualizar a narrativa desta terceira temporada. Após o ótimo final da última temporada, com a conspiração governamental desmembrada por Kate e Hal, toma rumos diferentes com a morte repentina do presidente William Rayburn (Michael McKean) abrindo um vácuo de possibilidades, ainda mais que sua vice, Grace Penn (Allison Janney), recebendo a notícia durante uma discussão com Kate.

A estreia da terceira temporada acontece minutos depois desta sequência no episódio Emperor Dead (3×01), com a série mostrando, nos primeiros quinze minutos, por quê é uma das melhores séries da atualidade, um episódio muito bem dirigido por Alex Graves, que cria uma tensão acentuada, com Kate liderando as ações de transição de cargo, enquanto tentam entender a morte do líder do “Mundo Livre” e ao mesmo tempo fazem os preparativos para que Grace assuma o cargo.

O episódio tem tudo que um bom drama pede, incluindo ótimos diálogos e Keri Russell brilhando no papel da embaixadora Kate, com pouco mais de alguns minutos, a atriz consegue mostrar força, vulnerabilidade e altivez diante de uma situação extrema. O episódio ainda conta com atuações sólidas de Rufus Sewell e Allison Janney como sempre impecável em tudo que faz.

A série não diminui o ritmo após seu melhor início de temporada até então, com os episódios Last Dance at the Country Club (3×02) e The Riderless Horse (3×03) mostrando tramas consistentes, um jogo político que fica ainda melhor e em paralelo adicionando uma crise no relacionamento entre Kate e Hal, quando este último é escolhido de forma inusitada para assumir um cargo importante em Washington.

O fato é que a série é tão bem estruturada que não se perde nem quando precisa lidar com subtramas, como a de Eidra Park (Ali Ahn) sofrendo com as decisões que tomou na temporada anterior e que coloca seu trabalho como chefe da CIA em Londres em risco. Ou quando precisa preparar para fechar um arco importante no episódio Arden (3×04) e dar um salto temporal que leva ao sólido episódio Birdwatchers (3×05).

Muito se pode questionar sobre A Diplomata passar muito tempo falando sobre o casamento em declínio de Kate, ou seus casos amorosos durante a temporada, mas isto faz parte do charme da série, que consegue integrar este tipo de narrativa no contexto geral de uma forma que fica impossível não se envolver com os desafios da protagonista em equilibrar seu cargo como embaixadora e seu posto como vice-primeira dama, já que seu marido vira o vice-presidente dos EUA.

A série não se segura e, talvez por isso, seja tão agradável de assistir, seja pela produção impecável, com a fotografia, figurinos e cenários impecáveis deixando narrativa ainda mais política e irresistivelmente interessante em todos os aspectos. As vezes o humor não funciona tão bem, porém Debora Cahn e seus roteiristas conseguem fazer episódios que crescem através de ganchos muito bem inseridos dando um bom ritmo para temporada.

A segunda metade da temporada é focada na crise entre EUA e Reino Unido, trazendo embate político entre Grace e o primeiro ministro Nicol Trowbridge (Rory Kinnear), um personagem extremamente chato, mas necessário para movimentar a narrativa e assim chegar a episódios maravilhosos como Amagansett (3×06), de longe um dos melhores deste novo ano.

O melhor de A Diplomata é entender onde seu texto é mais forte e utilizar isso para criar um caldeirão de reviravoltas mostrando o quão caótico o jogo político pela hegemonia global com uma guerra fria de bastidores que vai se tornando um complexo tabuleiro de xadrez onde a disputa entre norte americanos e britânicos cria um ambiente tenso que só deixa o expectador ainda mais empolgado em maratonar sem parar.

O episódio PNG (3×07) mostra que a série consegue atingir um patamar de qualidade que poucas conseguem, pois mantém a consistência em um enredo que só fica melhor e vai evoluindo sempre para algo maior e mais sombrio mostrando que a conspiração que iniciou lá na primeira temporada ganhou contornos ainda mais dramáticos dentro do jogo político criado para pavimentar toda a terceira temporada.

Por tudo isso, A Diplomata é daquelas séries imperdíveis, para quem gosta de política e geopolítica, a narrativa é um deleite visual dramático com um elenco refinadíssimo liderado por uma atuação impecável de Keri Russell. O final de temporada, Schrondinger’s Wife (3×08), é daqueles episódios brilhantes, com uma cena em específico durante um jantar que traz uma sequência de diálogos antológicos que é coroado posteriormente com um final espetacular. O terceiro ano é a combinação perfeita entre drama e tensão, mostrando que a série é de longe uma das melhores do ano e merece mais atenção dos seriadores de plantão.


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