
Muitas vezes quando anunciam uma continuação a gente pensa logo: “Pra que??”, e esse foi um desses casos, ainda mais pela forma que o filme anterior acabou. Aí eles foram lá e conseguiram entregar algo completamente diferente, assustador e ainda divertido.
O Telefone Preto 2 (Black Phone 2, 2025) é dirigido por Scott Derrickson e traz de volta Mason Thames, Madeleine McGraw e Ethan Hawke, com participações de Jeremy Davies e James Ransone.
Alguns anos depois dos eventos do primeiro filme, Finney tenta seguir em frente, mas o passado volta a chamá-lo, literalmente. Uma nova sequência de desaparecimentos começa, e o velho telefone preto volta a tocar.

É difícil falar desse filme sem entregar as mudanças que ele traz. O longa pega o mesmo elenco e os coloca em uma nova situação, usando a passagem de tempo como parte da narrativa. Os atores agora estão mais velhos, e isso ajuda a dar um tom mais maduro e melancólico à história. O foco está em como cada personagem lida com o que restou do primeiro filme, principalmente o protagonista, ainda marcado pelos traumas que viveu. Já sua irmã, que antes era o alívio e a ligação espiritual com o que estava acontecendo, ganha mais destaque e um desenvolvimento interessante do seu lado psíquico, aquele mesmo que salvou o irmão antes.
A grande virada acontece quando ela começa a ter sonhos estranhos, conectados a um antigo acampamento de inverno, e passa a receber ligações misteriosas de um telefone que não deveria mais funcionar. O filme aproveita o pouco elemento sobrenatural do anterior e expande isso de forma lenta e calculada, criando um clima de tensão crescente. Aos poucos, a narrativa vai deixando o terror mais físico e realista para mergulhar num lado mais místico e psicológico, algo que se encaixa bem na proposta de sequência, mas também muda bastante a sensação do que é O Telefone Preto (The Black Phone, 2021).

O ritmo é bem diferente do primeiro filme. Começa de forma contida, quase parada, com longas sequências que servem mais para reintroduzir os personagens e situar o público nesse novo momento. Só depois da metade do segundo ato é que o filme acelera e entrega o que ele construiu. Mas quando entrega, entrega mesmo.
A direção de Scott Derrickson mais uma vez acerta em cheio na construção do terror. Ele mostra que entende o gênero como poucos da sua geração, equilibrando o medo psicológico com o suspense visual. Com esse filme, Derrickson se firma de vez como um dos grandes nomes do terror contemporâneo norte-americano, provando que sabe transformar ideias simples em experiências intensas e marcantes.
Aqui, ele cria sequências que têm tudo pra se tornarem icônicas, trabalhando muito bem o silêncio, a tensão e o uso do espaço como elementos de medo. O mais interessante é como ele usa apenas o essencial do filme anterior. Não depende da nostalgia, nem repete fórmulas. Derrickson pega as bases deixadas lá atrás e constrói algo novo, expandindo a mitologia do universo de Telefone Preto de forma natural e coerente. É um trabalho que mostra maturidade criativa, transformando uma simples continuação em um novo capítulo sólido, que respeita o original e, ao mesmo tempo, se sustenta sozinho.

Mas nem só de universo vive O Telefone Preto 2. O filme também cresce junto com seus personagens, oferecendo um desenvolvimento muito bem-vindo, que amplia o que foi apenas sugerido no anterior. Ele mergulha mais fundo no passado dos irmãos, mostrando o peso das cicatrizes deixadas pelos eventos do primeiro filme e como isso moldou quem eles são agora. Esse olhar mais íntimo dá força emocional à narrativa e faz com que cada decisão pareça carregar o peso de tudo o que já viveram.
A relação entre os dois é o coração da história. O roteiro se dedica a explorar não apenas o vínculo fraternal, mas também o quanto o trauma os aproximou e afastou ao mesmo tempo. É nesse equilíbrio entre dor e afeto que o filme encontra sua verdade emocional, algo que o diferencia dentro do gênero.
Um terceiro personagem surge para completar essa dinâmica, funcionando de forma natural dentro da trama e trazendo um novo ponto de vista. Ele contribui para o crescimento dos irmãos, ajudando-os a ganharem novas camadas de profundidade. Essa adição faz o núcleo principal respirar melhor, deixando o filme mais humano dentro do horror.
Surpreendendo muito, Telefone Preto 2 chega para pegar desprevenido quem não esperava nada, e pra ser uma ótima opção pra quem gosta de ver um bom terror.
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Estudante de Publicidade na Universidade de Fortaleza, Miguel é o Sonserina mais Lufa-Lufa que se tem notícia. Esse grande apreciador de açaí passa a maior parte do seu tempo tentando ser o mais legal possível. E quase sempre consegue. Legalzão é cheio de surpresas, chora fácil, ri mais fácil ainda. Gosta de cozinhar, toca um monte de instrumentos, ama correr, assistir filmes de ação, joga videogame como quem respira e venera animes de esportes, quase tudo na mesma medida (a medida do exagero).