Star Wars Jedi: Fallen Order – O jogo que todos queríamos, mas não é o que merecemos

Star Wars Jedi: Fallen Order (2019) é um jogo em terceira pessoa lançado em novembro de 2019 para PlayStation 4, Xbox One e PC. O jogo conta a história de um Padawan que conseguiu sobreviver a ordem 66 e tem como objetivo restabelecer a ordem Jedi. Cronologicamente o jogo se passa alguns anos após o terceiro filme da trilogia prequel, Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith, 2005), e tem sua canonicidade confirmada pela Disney, ou seja: faz parte da história oficial da saga.

Pertencer oficialmente a saga de Star Wars com certeza dá ao jogo um peso e uma importância maior, pois, além de expandir a mitologia da franquia, apresenta personagens novos e traz consigo nomes consagrados, por exemplo, temos a presença de Darth Vader, talvez o personagem mais conhecido da série de Star Wars, e de Saw Gerrera, personagem pertencente a resistência, vivido por Forest Whitaker e com aparição em Star Wars: A Guerra dos Clones (Star Wars: Clone Wars, 2008 – 2020) e Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, 2016). A presença desses e de outros personagens comuns aos olhos do público dá um ar de certo conhecimento e conforto aos jogadores. Aliado a isso, temos a expansão da mitologia de Star Wars, conhecemos novos planetas, visitamos antigo. Resumindo: do ponto de vista da história a ser contada Fallen Order acrescenta muito a série. 

Junto a esses elementos temos o protagonista Cal Kestis, um jovem padawan que tem como objetivo no decorrer do jogo justamente restituir a ordem Jedi. É interessante o fato de termos como protagonista um padawan e não um Jedi já treinado e que sobreviveu a ordem 66. Sobre a perspectiva do aprendiz, nós, os jogadores, vamos aprendendo sobre a Força e sobre o mundo de Star Wars, o que antes no cinema acontecia de uma forma passiva, agora passa a ser ativa, pois controlamos o personagem e suas ações. Sem contar que o personagem possui carisma o suficiente para conduzir a história. Mais um acerto do jogo.

Contudo, nem tudo é um mar de rosas, o jogo apresenta alguns problemas que podem comprometer a experiência do jogador. Todos esses problemas estão relacionados a performance.  É constante a queda da taxa de quadros, resultando em diversos erros do jogador, por exemplo, você executa um pulo, mas pela queda de performance você acaba errando e morrendo. Isso não acontece apenas uma vez ou outra, é algo constante e que dificuldade e prejudica a experiência. Outro ponto são os constantes bugs de som e imagem, por vezes passamos paredes, personagens, elementos da tela somem, a trilha sonora trava, diálogos são cortados etc. A jogabilidade não é vista como problemática, embora não seja inovadora. É claramente inspirada em jogos de ação e aventura de sucesso (entenda como jogos da franquia Uncharted), apresenta elementos bacanas relacionados à Força e ao manejo do sabre, mas não é nada de revolucionário.

Star Wars Jedi: Fallen Order acerta em trazer uma história bem elaborada para dentro da franquia e por tratar ela como canônica, e ao apostar no seguro e trazer uma gameplay em que a maioria dos jogadores estão acostumadas, embora não tenha nenhuma inovação marcante, pelo menos faz seu trabalho direito. Contudo, falha principalmente por bugs e problemas de performance que atrapalham, e muito, a experiência do jogador. Para terminar esse jogo é preciso além das habilidades muita paciência. Por fim, certamente Fallen Order é o jogo que todo fã de Star Wars queria, com uma história envolvente e bem construída, mas certamente pelas constantes falhas ainda não é o que se merece.

Sobre o autor

Thiago Henrique Sena
Atual Vice-presidente da Aceccine. Bacharel em Cinema, formado em Letras e graduando de Ciências Sociais. Apaixonado por literatura, poesia, pintura, animes e mangás. Ama os filmes do Bruce Lee, do Martin Scorsese e do Sergio Leone e gosta de cinema latino-americano e asiático. Escreve sobre jogos, cinema, quadrinhos e animes. Considera The Last of Us e Ocarina of Time os melhores jogos já feitos e acredita que a vida seria muito melhor ao som de uma trilha sonora de Ennio Morricone ou de Nobuo Uematsu.