O mundo de Jurassic Park/World se expandiu bastante nos últimos anos, seja no cinema, seja em outras mídias. Essa franquia bilionária gerou vários derivados. Entre todos deste universo, Jurassic World: Acampamento Jurássico (Jurassic World: Camp Cretaceous, 2020 – 2022) foi muito especial, nos apresentou “Os Seis de Nublar” e gerou uma sequência ainda melhor com o excelente Jurassic World: Teoria do Caos (Jurassic World: Chaos Theory, 2024-2025), com os protagonistas já crescidos.
Após quatro temporadas, chega ao fim esta produção da Amblin com a Netflix trazendo uma conclusão mais uma vez para Darius Bowman (voz de Paul-Mikél Williams), Ben Pincus (voz de Sean Giambole), Kenji Kon (voz de Darren Barnet), Brooklynn (voz de Kiersten Kellen), Yasmina Fadoula (voz de Kausar Mohammed) e Sammy Gutierrez (voz de Raini Rodriguez). Foram 39 episódios e uma jornada intensa que começou nos EUA, passou pelo continente africano, depois na região italiana de Malta, até terminar nas instalações da BioSyn, fazendo um paralelo direto com Jurassic World: Domínio (Jurassic World: Dominion, 2022), onde esta quarta temporada se passa e onde traz um fim (será mesmo?) para a jornada dos “Seis de Nublar”.
A premiere Arrival (4×01) segue onde a terceira temporada parou, após frustrarem os planos de Soyona Santos (voz de Dichen Lachman), Darius, Brooklynn, Ben e Yasmina pegam um helicóptero para chegarem à sede da BioSyn. Enquanto Kenji e Sammy estão no local e tentam negociar com Lewis uma forma de protegerem os dinossauros e resgatarem o Lisinho.
A trama criada por Scott Kreamer e Zack Stentz traz um amadurecimento e apara as pontas soltas, fazendo com que Darius, Kenji, Yasmina, Ben e Sammy entre numa jornada de reconciliação com Brooklynn em meio a tentativa de escapar da instalação da BioSyn e finalmente parar os planos de Lewis Dodgson.
Grande parte desta última temporada trata da amizade e de como, mesmo fragilizada, ela continua sendo o sentimento mais forte que une esses amigos, que passaram por inúmeras aventuras, mas sempre sobreviveram juntos. Talvez, por conta desta pegada mais emocional, a série diminuiu muito seu ritmo frenético estabelecido nas três temporadas anteriores.
Isto não torna Jurassic World: Teoria Caos menos interessante, pois se tem uma coisa que a animação sabe fazer é conseguir conquistar o público através do desenvolvimento dos personagens. Desta forma episódios como The Maze (4×02) e Familiar Faces (4×03), onde existem diversos conflitos enquanto o grupo vai adentrando as instalações da BioSyn, ao menos tempo que enfrentam as ameaças dos dinossauros por tabela.
O melhor da animação é saber dosar ação enquanto revelas mistérios, traz rostos familiares como Dr. Wu, bem como conexões que mostram que a linha da temporada do seriado se passa em paralelo com o último filme da trilogia protagonizada por Chris Pratt. A narrativa vai aumentando a tensão nos episódios Ctrl + F (4×04) e no ótimo Give & Take (4×05), mostrando que a série ainda tem muito gás pra queimar e ainda é capaz de trazer bons ganchos.
A série procura um caminho emocional para fechar a história dos personagens e traz uma sensação de perigo e incerteza no meio da trama que fazia um tempo que a série não conseguia entregar. O episódio Fire (4×06) é de longe o melhor da temporada, traz riscos, reunião entre os seis principais e um gancho que coloca a vida de um dos personagens principais em risco.
Incrível que esta pegada mais dramática se estende aos episódios finais e ficamos na dúvida se o personagem em questão irá sobreviver. É algo que Jurassic World: Teoria do Caos sempre soube construir, uma pena que ao optar por focar na jornada de DR entre Brooklynn e o grupo, além desta parte envolvendo um dos personagens na parte final, acaba que a série deixa os dinossauros em segundo plano.
O melhor de “Teoria do Caos” era como a série sabia equilibrar o drama dos personagens com sequências de ação alucinantes com um fator de entretenimento que sempre foi a melhor qualidade da série. Aqui, no quarto ano, a ameaça dos dinos parecem perder força em meio ao texto, faltando um equilíbrio melhor, isto é sentido nos episódios How Strong We Are (4×07) e Lights Out (4×08), que possuem muita ação, mas estamos mais preocupados com a resolução do drama do personagem ferido, do que o caos ao redor.
A verdade é que a animação mostrou muitos sinais de desgaste nesta última temporada, então a escolha de encerrar a jornada dos personagens foi mais do que bem vinda. A série ainda tem momentos bonitos, como Darius se reconciliando com Brooklynn, ou o esperado beijo de reconciliação entre Yasmina e Sammy, bem como todos os personagens reunidos na maior parte do tempo e não separados, como em muitos momentos ocorreu nas temporadas anteriores.
Por tudo que foi comentado, a certeza é que Jurassic World: Teoria do Caos é o fim correto que precisávamos, ainda que seja melancólico e com aquele gostinho de tristeza no series finale, Fare Well (4×09). O tom de amadurecimento apresentado para Darius e companhia que deixa a sensação de que a jornada valeu a pena. Existe aqui espaço para uma possível sequência, que espero que ocorra, mas por enquanto esse final pareceu acertado e bonito o suficiente para que fique marcado na mente dos fãs. Este respeito poucos seriados conseguem e “Teoria do Caos” conseguiu juntar entretenimento e emoção num pacote só. Fica aqui nosso muito obrigado aos produtores por trazerem personagens tão marcantes e inesquecíveis neste universo iniciado por Spielberg em 1993. Que venha mais histórias neste universo, se for no mesmo nível desta, estaremos bem servidos de qualidade.
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Engenheiro Eletricista de profissão, amante de cinema e séries em tempo integral, escrevendo criticas e resenhas por gosto. Fã de Star Wars, Senhor dos Anéis, Homem Aranha, Pantera Negra e tudo que seja bom envolvendo cultura pop. As vezes positivista demais, isso pode irritar iniciantes os que não o conhecem.