The Witcher: 4ª Temporada – Novo protagonista, boas cenas de ação numa fantasia capenga

Existe uma máxima em Hollywood que diz sempre “o show deve continuar”, isto serve muito para justificar mudanças de elenco, mudanças de roteiristas, mudanças de diretores, mudança de rumo de uma série ou filme de uma determinada franquia para tentar deixar a narrativa movimentada, ou para salvar uma saga em declínio como é o caso de alguns produtos.

Um destes é a série live-action The Witcher (2019 -), que foi a grande aposta da Netflix para ter uma franquia de fantasia nível Game of Thrones (2011 – 2019), mas acabou que depois de duas temporadas com alta audiência, desgastou-se significativamente a partir da terceira, juntando também a onda de crítica dos fãs dos livros e dos jogos em relação à showrunner Lauren Schmidt Hissrich, que inclusive resultou na partida precoce de Henry Cavill no papel título.

Depois de dois anos de hiato, a quarta temporada retornou agora com um novo bruxão na pele do ator Liam Hemsworth e várias mudanças de atores de personagens chave que se o expectador tiver esquecido, a narrativa não faz muita questão de lembrar, só segue o baile. É desta forma que iniciamos o novo ano com Geralt (Hemsworth), Jaskier (Joey Batey) e Milva (Meng’er Zhang) numa jornada para encontrar a desaparecida Ciri (Freya Allan), que se encontra longe em companhia do grupo denominado “ratos” (veja o filme prequel “Ratos: Uma História de The Witcher” após a temporada acabar).

A premiere What Doesn’t Kill You Makes You Stronger (4×01) é a introdução acelerada que faz a transição sem rodeios colocando o Geralt de Liam no centro da ação já dando o tom do que a temporada vai ser. O clima de ação e fantasia está lá, intacta, alguns fãs podem torcer o nariz, mas aqueles que insistiram em continuar com o seriado, foram agraciados com uma narrativa mais simples e focada.

É claro que The Witcher possui diversas ressalvas, incluindo a quantidade de personagens que na maioria das vezes esquecemos até o nome, mas não há dúvidas, que em termos de jornada, a série ainda consegue prender nossa atenção, ao dividir as linhas da trama entre a busca de Geralt por Ciri de um lado, enquanto do outro temos Yennefer (Anya Chalotra) na mesma jornada com alguns percalços no caminho. A terceira linha acompanha Ciri, agora com o nome de Falka. 

Os episódios Dream of a Wish Fulfilled (4×02) e Trial by Ordeal (4×03) são razoavelmente bons, onde mais uma vez a série compensa a falta de substância em alguns aspectos com boas sequências de ação e a construção de conflitos, como aquele que se desenha na trama liderado por Yennefer.

Enquanto a trama de Geralt tem uma trama mais procedural com aventuras com começo meio e fim, até para que o público possa se acostumar com o Liam no papel, temos outras engrenagens colocando o roteiro em rota de colisão entre outro confronto que se desenha entre Yennefer e o poderoso Vilgefortz (Mahesh Jadu).

Talvez a trama menos interessante seja a de Ciri/Falka, ao se integrar ao grupo dos “ratos”, a personagem acaba passando por uma jornada de redescobrimento e uma trama adolescente que pouco empolga. Os episódios A Semon of Survival (4×04) e The Joy of Cooking (4×05), são bem desenvolvidos, enquanto o primeiro empolga, o segundo parece um filler feito para conhecer mais o passado de alguns personagens antigos e novos.

A verdade é que apesar de várias ressalvas, a temporada de The Witcher é boa de assistir, pelo menos o ritmo não é irregular, mas bastante objetivo sobre o que quer contar. Muito se falou sobre a série não conseguir trazer uma fantasia mais coerente e menos confusa, aqui neste novo ano temos uma simplificação muito boa da trama resultando em episódios que passam rápido e tem ganchos pontuais. 

A série criada por Lauren Schmidt e seus roteiristas, parece ter finalmente entendido que o expectador fica impaciente quando é enrolado, então a primeira metade da temporada é construída para que tudo resulte no melhor episódio Twilight of the Wolf (4×06), com uma batalha espetacular entre Yennefer e suas feiticeiras, com auxílio de alguns bruxos, incluindo o mestre de Geralt, Vesemir (Peter Mullan, no lugar do ator Kim Bodnia).

Este episódio vale cada segundo para o expectador que esqueceu a birra de alguns fãs e decidiu continuar vendo a série. A atriz Anya Chalotra está excelente junto com o resto do elenco entregando sequências de ação insanas e muito bem dirigidas pelo diretor Alex Garcia Lopez, num episódio que é pura fantasia de ação com consequências gigantescas para série.

Uma pena que a reta final não siga tanto esta cartilha, ainda que algumas tramas se unifiquem para deixar a trama com tom de definição nos sólidos What I Love Do Not Carry (4×07) e o final de temporada Baptism of Fire (4×08), que parecem ajustar as peças para um desfecho, mas no final acabam soando como anticlímax, como se tudo fosse deixado para resolver na próxima temporada.

De uma forma geral, The Witcher é uma série imperfeita, não chega a ser um desperdício, mas infelizmente nunca alcançou seu potencial. Com a mudança do protagonista, a série conseguiu não se perder, entregando uma temporada bem dinâmica, sem perder ritmo, trazendo inclusive um frescor em diversos momentos. Ainda que o último episódio segure um pouco a mão, no geral a quarta temporada foi decente dentro das suas limitações e vale a pena conferir, nem que seja pela curiosidade.

No final das contas, resta saber se a série renovada para quinta e última temporada, conseguirá terminar bem a história do trio Geralt, Ciri e Yennefer de uma forma digna. A fantasia continua lá e o potencial também. Entre altos e baixos, esperamos que ao menos o final seja decente, como este último ano entregou, entretenimento e ação, descompromissado. É o mínimo que podemos esperar.


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