2025 parece ter sido curto para o tanto de música boa que foi lançada ao longo do ano. Aqui juntamos alguns dos colaboradores mais “sonoros” do Só Mais Uma Coisa (Elvio Franklin, Migs, Natália Alves, Milo Costa e Rafaela Sousa) para comentar alguns de seus álbuns preferidos lançados no ano que passou. São 20 ao todo, dos mais variados gêneros e ritmos. E olha que muuuita coisa ainda ficou de fora.
Segue a lista em ordem cronológica de lançamento.
Bad Bunny – DeBÍ TiRAR MáS FOToS
(5 de janeiro)

Em um momento político marcado por opressão e duras restrições aos direitos dos imigrantes nos Estados Unidos, Bad Bunny retorna, após cinco álbuns de estúdio em pouco mais de seis anos, a Porto Rico em sua arte. DeBÍ TiRAR MáS FOToS foi lançado em 5 de janeiro de 2025, semana de grande importância histórica para os porto-riquenhos: há cerca de 157 anos, revolucionários porto-riquenhos, então exilados politicamente na República Dominicana, fundaram o Comité Revolucionário de Puerto Rico, conceberam a primeira bandeira nacional inspirada nos modelos dominicano e cubano e desencadearam o Grito de Lares, em 1868, marco da primeira insurreição armada da ilha contra o domínio colonial espanhol.
Musicalmente, o álbum expande o universo do artista ao misturar reggaeton, pop latino e música urbana com referências à tradição porto-riquenha. Ritmos caribenhos aparecem não como adereços, mas como parte essencial da narrativa sonora. Bad Bunny usa essas sonoridades para reforçar a ideia de identidade, pertencimento e herança cultural, dando ao disco um peso que vai além do hit imediato. As letras são o grande ponto de força. Há introspecção, arrependimento, desejo e melancolia, mas também ironia e momentos de leveza. O artista se mostra mais vulnerável do que em trabalhos anteriores, refletindo sobre relações passadas, fama, solidão e o custo emocional do sucesso. Mesmo quando fala de festas ou romance, existe sempre um subtexto de saudade e consciência do tempo.
Além disso, o álbum possui um mascote, símbolo da resistência porto-riquenha: o sapo concho, uma espécie endémica da região, que está a ser substituída por outra espécie endémica dos Estados Unidos. Bad Bunny traz o animal com forte simbolismo, marcado pela luta pela preservação da espécie. O álbum trouxe visibilidade ao sapinho, fazendo com que ambientalistas e projetos governamentais colocassem seus olhos sob o perigo de extinção. Por isso e por tudo mais que as canções de DeBÍ TiRAR MáS FOToS representam, Bad Bunny é confirmado como um artista em constante evolução. É um álbum que dialoga com o passado, fala diretamente ao presente e deixa claro que ele está disposto a arriscar emocionalmente e musicalmente.
Por Natália Alves
BaianaSystem – O Mundo dá Voltas
(16 de janeiro)

Eu quando penso em música brasileira atualmente penso no BaianaSystem. Eles são um grupo que passeiam por diversos níveis de brasilidade, adentram profundamente na cultura afro, absorvem o que muitas cidades do Nordeste tem pra passar musicalmente e criam um som que só eles têm. E nesse último álbum eles vieram com muitas participações de artistas, cada um trazendo o tempero da sua música pro Baiana sem tirar a identidade deles. É um álbum que grita Brasil no sofrimento, alegria, no rebolado em todas as suas letras. As dores e os amores dos brasileiros estão ali representados. Eles fazem isso, que é algo que eu amo na música, que é me fazer dançar com o meu sofrimento. Cantar o nosso sofrimento como brasileiros, mas tocar uma melodia feliz e animada que reflete o nosso espírito incansável.
Por Migs
FKA Twigs – EUSEXUA / EUSEXUA Afterglow
(24 de janeiro / 14 de novembro)

“EUSEXUA is a practice, EUSEXUA is a state of being, EUSEXUA is the pinnacle of human experience”
O que fazer quando o que você quer expressar é atravessado por experiências pessoais tão transformadoras que não há palavras para defini-las? Para FKA Twigs a solução foi criar um novo termo: EUSEXUA, um estado de espírito de puro êxtase, de conexão visceral consigo. Neste trabalho, Twigs nos convida a se despir de quaisquer barreiras emocionais e a explorar nossas camadas mais profundas e vulneráveis em sua pista de dança hipnótica. Nesse universo, o resultado dessa reinvenção é o nascimento de uma criatura cósmica, ainda mais poderosa e confiante, chamada AFTERGLOW. A continuação do projeto é ambiciosa, independente e ainda mais dançante. Com um projeto bem desenvolvido, FKA encerra 2025 com autenticidade e promessas de uma expansão ainda maior da mitologia de EUSEXUA.
Por Rafaela Sousa
Lady Gaga – Mayhem
(7 de março)

O retorno da Gaga parecia que seria muitas coisas e ele foi tudo isso e muito mais. O Mayhem marcou um retorno triunfal da Gaga à forma que fez com que muitos de nós nos apaixonássemos por ela. Gritando com muita força, fazendo todo mundo lembrar porque ela é a Mother Monster. Poucas artistas são capazes de fazer o que a Gaga faz, e nesse álbum ela faz um “best of” da própria carreira mostrando todos os lados do que ela consegue fazer. É a mãe, não tem jeito!
Por Migs
JENNIE – Ruby
(7 de março)

Quando se falavam do solos do BLACKPINK, se falava muito na Lisa e na Rose, mas não tanto na Jennie. Até que esse álbum veio e foi arrebatador, foi um grande grito de identidade e estilo da Jennie. Mostrando que ela sabe sim produzir música, que ela tem sim o “molho”. É um álbum que passeia por músicas dançantes, pelas músicas safadas e ainda encontra um espaço para passar pelas músicas sentimentais. É um pequeno grupo de canções que conseguem mostrar toda a dimensão da artista completa que a Jennie é, e nos deixa muito empolgados com o futuro dela e o que de mais maravilhoso ela vai fazer.
Por Migs
Marina Sena – Coisas Naturais
(31 de março)

A Marina Sena é uma artista que quando surgiu já foi chamando atenção, o primeiro álbum veio com hits que realmente ficaram na nossa cabeça. Mas a cada álbum que foi passando via-se uma grande evolução na sua capacidade artística e esse terceiro chega com ela entendendo por completo quem é a Marina Sena artista. Essas músicas cada uma passeia por um estilo diferente da música brasileira bebendo de muitas fontes diferentes, e juntando tudo pra fazer uma coisa nova maravilhosa, que casa perfeitamente com o estilo de vocal dela. Fazendo com que ela vire uma diva do seu próprio jeito, com muita brasilidade, muito calor e com muita praia. Esse é um álbum que eu escuto e eu quero ir à praia, eu sinto o cheiro da praia.
Por Migs
Luedji Luna – Um Mar Pra Cada Um,
(26 de maio)

Já faz algum tempo que considero Luedji Luna uma das artistas mais talentosas da música brasileira dos últimos anos, desde seu primeiro álbum em 2017, para ser mais preciso. E sua capacidade e evolução foi se mostrando mais potente a cada música lançada. Sua voz hipnotizante unida a arranjos que tornam seu som algo universal e a poesia das composições chegam ao ápice neste seu quarto trabalho, “Um Mar Pra Cada Um,”. Sua abertura com a instrumental “Gênesis” já nos introduz à viagem transcendental em que o restante do disco irá nos levar, e segue com o tom mais intimista que a artista já apresentou ao mundo. Somos levados quase que a flutuar pelo céu noturno repleto de estrelas, misturando nossa alma à da artista, passando por suas raízes tanto mais clássicas, como na versão de “Dentro Ali”, um dos destaques de seu primeiro disco, até participações mais do que especiais, com destaque para Liniker em “Harém”. É música para se sentir.
Por Elvio Franklin
João Gomes, Mestrinho e Jota.pê – Dominguinho
(18 de abril)

Não acho que chamar o Dominguinho de “projeto” faria jus ao que ele era inicialmente, já que o termo remete geralmente a algo planejado com antecedência em seus mínimos detalhes, e talvez, se tivesse sido dessa forma, o álbum não teria se tornado o fenômeno absoluto que embalou tantos xamegos em 2025.
Três amigos marcam de se encontrar no centro histórico de Olinda, no Pernambuco, para improvisar uma apresentação simples, usando os próprios casarões antigos e uma igreja de fundo como cenário, uma cadeirinha de madeira para cada um e pronto, tá feita a arrumação. Os três amigos são: Jota.pê, com seu violão à tiracolo, voz melódica e toda uma bagagem de influência da MPB; o sanfoneiro Mestrinho, pupilo de Dominguinhos e carregando a herança do forró e do baião gonzagueano; e por último João Gomes, representante máximo do piseiro, carregando a humildade e a leveza do sertão pernambucano. Três músicos que já se mostravam expoentes em seus gêneros e que já deixavam claro em seus trabalhos anteriores individuais a potência de seus sons.
O encontro em Olinda foi ideia de João, e o que seria uma espécie de improviso com quatro ou cinco músicas executadas em conjunto, acabou se tornando um show acústico com 12 faixas, intercalando entre composições de cada um dos três (excelentes compositores, diga-se de passagem), e interpretações de clássicos como “Flor de Flamboyant” de Kara Veia, “De Mala e Cuia” de Flávio Leandro, e até uma versão incrível de “Pontes Indestrutíveis” do Charlie Brown Jr., finalizando perfeitamente o álbum. A dinâmica entre o trio que, além de músicos fenomenais, se mostra um açude cheio até a borda de carisma, é o que dá a alma aos pouco mais de 40 minutos de apresentação. O mini-show virou vídeo na internet, o vídeo se tornou álbum e o álbum estourou de uma forma inimaginável, não à toa ganhando um Grammy Latino e os corações de tanta gente em uma turnê que ainda está em andamento pelo Brasil e deve seguir para o exterior ainda em 2026.
Dominguinho é um abraço caloroso de um amigo querido e gentil, é um cheiro bem cheirado no cangote de quem se ama, é um passeio pelo Brasil em sua máxima riqueza cultural.
Por Elvio Franklin
ARTMS – <Club Icarus>
(13 de junho)

“We fly high, the world awakening us, reborn like a phoenix wing”
ARTMS, projeto de re-debut de Heejin, Haseul, Kim Lip, Jinsoul e Choerry, retorna com um projeto ambicioso que desafia a lógica de lançamentos do lucrativo mercado sul-coreano. A title do álbum, Icarus, arrisca uma sonoridade que mescla música clássica e eletrônica e é trabalhada visualmente em um curta-metragem experimental que expande a complexa narrativa iniciada no álbum <DALL>. Nesta era o conceito de “Club” vai além de sintetizadores e graves intensos, sendo interpretado como um espaço de acolhimento e pertencimento, um refúgio para todes aqueles que vivem à margem da sociedade. <CLUB ICARUS> é uma carta de amor para os fãs e um passo ousado na história do grupo, que fortalece sua nova identidade sem deixar de referenciar o legado que construíram ao lado das demais integrantes do LOONA.
Por Rafaela Sousa
Don L – CARO Vapor II – qual a forma de pagamento?
(16 de junho)

Provavelmente o álbum que eu mais ouvi em 2025, CARO Vapor II vem pra cravar Don L como um dos maiores nomes do rap nacional. Não apenas da atualidade, mas o cearense sem dúvidas já deixou sua marca na história do gênero no Brasil. E isso criando uma identidade marcante que se mostra tanto em suas letras, sempre afiadas, quanto na musicalidade de suas batidas. A honestidade e a atualidade de suas composições parecem estar falando diretamente com quem escuta, mas especialmente nos toca como brasileiros. Don L ao falar de si inevitavelmente acaba resvalando em todo contexto ao seu redor, e o faz de forma extremamente inteligente, combinado a beats e samples memoráveis, daqueles que reverberam até que a próxima faixa comece. A variedade de gêneros (que vai do reggae ao forró), as influências e as participações (Anelis Assumpção e Alice Caymmi, entre outras), são as cerejas desse bolo de Brasil, que tem partes amargas, como não poderia deixar de ter, mas se formos experimentando sentiremos também um doce mel frutado que nos faz suspirar.
Por Elvio Franklin
Lorde – Virgin
(25 de junho)

“When you’re holding a hammer, everything looks like a nail”
Intitulado “Virgin”, o quarto álbum de estúdio de Lorde chega embalado em uma imagem de raio-x e a mensagem não poderia ser mais clara: Esse é o trabalho mais pessoal e sincero d’Ella. Ao abrir o álbum com a faixa Hammer e encerrar com David, Lorde faz um paralelo com a marcante escultura de Michelangelo e propõe a destruição da auto imagem, nos convidando para embarcar na jornada de reconstrução da mesma. Debatendo sexualidade, identidade de gênero, quebra de expectativas e ciclos geracionais, Ella cria um retrato relacionável do quão libertadora e dolorosa é a chegada dos trinta e nos presenteia com o trabalho mais maduro de sua carreira.
Por Rafaela Sousa
Sabrina Carpenter – Man’s Best Friend
(29 de agosto)

Segundo álbum desde que Sabrina Carpenter realmente estourou, Man’s Best Friend traz uma versão não tão madura e 100 por cento jogado no duplo sentido. E é isso que a gente gosta dela, ela não é a menina pura, ela é podre, ela gosta de putaria, ela ama xingar e matar homens. O novo álbum já chegou com polêmica na capa, mas entregou muito com novos hits e letras chiclete maravilhosas. As vezes um pop só precisa ser divertido e esse foi muito e feito com qualidade.
Por Migs
Gaby Amarantos – Rock Doido
(29 de agosto)

Como bem diz o professor, pesquisador e comunicador PJ Brandão: “Nós aqui do Norte e Nordeste somos a periferia da periferia do mundo.” O que o PJ, um amigo querido e também a mente criativa por trás do perfil HQ Sem Roteiro, quer dizer com essa frase em suas aulas e em seus conteúdos é que nós estamos longe do eixo onde tudo acontece e é decidido no nosso país, estamos à margem. E o Brasil, por sua vez, apesar de ser cada vez mais protagonista e decisivo nas discussões internacionais, também ocupa essa posição, secundária, por assim dizer.
E o resultado disso é que nós, enquanto periferia, somos moldados não só pela nossa cultura local como também pela cultura dos centros de poder do nosso país e do mundo. Isso acaba criando misturas – ou para o contexto deste texto, porque não chamar de remixes? – inusitadas e singulares porque, como o próprio PJ afirma “é na periferia que nasce o novo que se torna inovação e só depois vai ser apropriado pelos grandes centros”. E eu começo meu texto falando sobre isso porque foi a conexão imediata que eu fiz quando ouvi pela primeira vez o álbum -manifesto – filme Rock Doido de Gaby Amarantos.
Um projeto que respira pluralidade e remixes culturais de maneira frenética, estonteante e muita potência. Tanto o curta de 22 minutos filmado todo em plano sequência utilizando um celular como equipamento, quanto o álbum nonstop de 35 minutos com 22 faixas, misturam ritmos, elementos de cultura popular, referências internacionais e múltiplos talentos, tornando tudo isso uma experiência única e contínua. Rock Doido é Amazônia no centro, é prova documental, irrefutável e disruptiva de que não é porque o Norte está sempre afastado dos holofotes que ele não é capaz de superproduções completas e de muita qualidade, muito pelo contrário. Viva a periferia da periferia do mundo!
Por Milo Costa
Maruja – Pain to Power
(12 de setembro)

Pain to Power é o álbum debut da banda britânica Maruja, lançado em 12 de setembro de 2025. O disco chegou com expectativas altas, especialmente depois da reputação intensa do grupo nos palcos, cumprindo em grande parte essa promessa energética e visceral na obra. O som de Maruja é difícil de encaixar em um único gênero, o que é completamente validado com o Pain to Power. A banda mistura punk, jazz, rock alternativo, elementos de hip-hop e improvisação, muitas vezes dentro da mesma faixa. O uso do saxofone (minha parte favorita, e o que tá me fazendo querer aprender o instrumento), combinado com guitarras agressivas e vocais que transitam entre rap e gritos, cria uma textura sonora densa e movimentada, que soa tanto ritualística quanto rebelde.
Liricamente, é um disco de protesto e reflexão. Muitas letras confrontam injustiças sociais, desigualdades e opressões, mas também equilibram essa ferocidade com mensagens de união, amor e empatia. Essa dualidade aparece com força em faixas como Saoirse, que usa a palavra irlandesa para “liberdade” para reforçar um grito por humanidade e união. Tudo isso com o Harry Wilkinson, vocal principal da banda, gritando no nosso ouvido de uma forma memorável. Pain to Power é um álbum de estreia vibrante e ambicioso. Ele traz uma banda que não tem medo de confrontar tanto o ouvinte quanto a realidade sociopolítica do mundo atual, e faz isso com força, visceralidade e uma mistura estilística que desafia expectativas.
Por Natália Alves
Urias – Carranca
(7 de outubro)

Carranca representa uma virada artística importante para Urias, consolidando sua maturidade musical e sua voz como uma das mais originais da cena contemporânea brasileira. Após se consolidar artista na cena brasileira com álbuns como “FÚRIA” e “HER MIND”, a cantora e compositora abandona em grande parte a estética pop convencional para navegar por rap, R&B, jazz, groove, eletrônica e referências à música brasileira tradicional.
Diferente dos trabalhos anteriores, que flertavam mais com o pop eletrônico e produções internacionais, este álbum mergulha fundo na ancestralidade afro-brasileira, na identidade cultural e na experiência histórica de um povo, usando a música como veículo de resistência e reflexão. As letras de Carranca são densas, poéticas e carregadas de crítica social. Faixas como “Deus”, com participação de Criolo, confrontam a hipocrisia religiosa e o apagamento histórico das culturas de matriz africana; outras como “Águas de um Mar Azul” e “Vontade de Voar” exploram temas de liberdade, memória e resistência com elegância e profundidade.
O título do álbum é uma metáfora poderosa: a carranca é uma escultura tradicional usada para proteger embarcações e afastar os maus espíritos, simbolizando força, proteção e ligação espiritual, conceitos que perpassam toda a obra. Nas palavras da cantora: “É também como eu me vejo na minha trajetória musical: carrancuda. Em cima do palco sou assim”. Carranca é uma obra ousada e coesa, que reafirma Urias como uma artista em constante evolução. É um álbum que dialoga com ancestralidade, identidade e resistência, rompendo fronteiras e convidando o ouvinte a uma jornada introspectiva e coletiva.
Por Natália Alves
Katy da Voz e as Abusadas – A Visita
(22 de outubro)

“Santo é uma figura pública, revelada numa foto 3×4, abençoa a família brasileira”
Você está prestes a receber a ilustre visita de Katy da Voz, Palladino Proibida e Degoncé Rabetão e elas irão revirar e destruir TU-DO! A Visita bebe de elementos do cinema de horror para construir a estética marcunty da nova era. Sua produção conta com nomes de peso da música eletrônica brasileira como Dj Dayeh, FKOFF1963, CyberKills, Carlos do Complexo, Malka e FUSO! que mesclam funk, techno e punk criando uma experiência caótica, sexual e deliciosamente catártica. Em A Visita, elas nos lembram com maestria que antes de qualquer coisa ser punk é atitude, é posicionamento, é transgressão e o funk pode sim ser punk pra caralho!
Por Rafaela Sousa
Lily Allen – West End Girl
(24 de outubro)

West End Girl marca o retorno de Lily Allen à cena musical depois de sete anos sem lançar um álbum completo, e é, sem dúvida, um dos seus trabalhos mais pessoais e narrativos até hoje. O álbum nasce diretamente das experiências emocionais da cantora após o fim de seu casamento com o ator David Harbour. Esse contexto de criação não só alimenta as letras, mas molda o tom inteiro do disco: há franqueza, vulnerabilidade e uma vontade de confrontar sentimentos difíceis.
Ao longo de catorze faixas, Allen transforma em canção sua história, que pode representar a vida de muitas pessoas: amor, traição, desilusão e recuperação. Faixas como “Madeline”, “Pussy Palace” e “Nonmonogamummy” exemplificam essa abordagem: são canções que usam humor ácido, detalhes explícitos e observações afiadas para falar sobre relações modernas, expectativas e feridas emocionais. A habilidade de transformar desespero e dor em músicas que ainda grudam na cabeça é uma das marcas registradas de Allen, e aqui ela aparece forte: mesmo quando o conteúdo é pesado ou desconfortável, há grooves que mantêm o álbum envolvente.
West End Girl é um álbum de pop inteligente e incisivo, onde Lily Allen transforma dor, confusão e ironia em canções que são tão diretas quanto memoráveis. É uma obra que vai além de simples hits, é um relato emocional complexo que pede atenção e reflexão, com momentos tanto de humor quanto de melancolia. E pessoalmente falando, uma boa fofoca contada por uma das melhores compositoras do nosso século.
Por Natália Alves
Flau Flau – Íntimo Oriental
(7 de novembro)

Esse foi um álbum que eu descobri no final do ano. Um álbum psicodélico mágico único. Com fortes inspirações em Boogarins, o Íntimo Oriental da Flau Flau me arrebatou com uma sonoridade incrível simplesmente deliciosa de ouvir repetidamente por horas. Sinto que descobrir a Flau Flau, com tão poucos ouvintes, tão cedo na carreira, é como encontrar uma semente que acabou de dar seu primeiro broto e vai crescer e se tornar algo colossal e gigantesco. No seu vocal, na suas letras, nas suas melodias essa artista mostra que tem tudo pra ser eventualmente um dos grandes nomes da música brasileira. Texto muito emocionado? Talvez. Mas aí você pensa: uma pessoa aleatória da Paraíba fez com que eu me emocionasse a esse ponto. É porque bateu e bateu forte. Eu amo música e aí isso que o Íntimo Oriental me faz pensar: meu deus eu amo música!
Por Migs
Rosalía – LUX
(7 de novembro)

Recalculando a rota e abandonando completamente sua raíz pop convencional, Rosalía lança um dos melhores álbuns de 2025. Mas não se engane, esse álbum não é para qualquer um. LUX não é apenas mais um álbum de pop, é uma obra ambiciosa, ousada e profundamente pessoal que redefine ainda mais o lugar de Rosalía no cenário musical global.
Lançado em novembro de 2025, LUX marca o quarto álbum de estúdio da artista espanhola, que em vez de buscar hits instantâneos ou refrões grudentos, constrói uma experiência imersiva e teatral, combinando elementos que vão do clássico ao experimental. O projeto é notável também pela sua diversidade linguística, onde a cantora canta em várias línguas diferentes, o que amplia a sensação de um universo narrativo complexo e multicultural.
Musicalmente, LUX mistura orquestrações clássicas com pop experimental, flamenco, eletrônico e elementos contemporâneos, criando um som que é ao mesmo tempo grandioso e íntimo. A presença da London Symphony Orchestra em boa parte das faixas reforça essa ambição, fazendo com que o álbum soe como uma sinfonia pós-moderna. Além disso, o álbum reúne feats com artistas consagrados na música experimental, como Björk e Yves Tumor, na minha faixa favorita: “Berghain”. LUX é um álbum que pede atenção e tempo, um trabalho que vai te desafiar. Não é um disco feito para escuta casual, é uma jornada sonora e simbólica que mistura pop, orquestra, tradição e vanguarda. Rosalía não apenas expande os limites da sua própria discografia, mas, de certa forma, redefine o que o pop pode ser no nosso século.
Por Natália Alves
Davi Sabbag e DJ ÅNJO – ÅNJO MAÜ
(27 de novembro)

Quatro anos após o lançamento do seu primeiro álbum solo, Davi Sabbag retorna com “ÅNJO MAÜ”. Referenciando o eurodance do fim dos anos 90, com uma roupagem bem brasileira, Davi cria um universo utópico e dançante que nos desloca da percepção de tempo ao soar igualmente nostálgico, atual e futurista. O álbum traz parcerias assertivas como Linn da Quebrada, LEOA, Potyguara Bardo, Getúlio Abelha, RKills, WES, Malka e outres. A música LGBTQ brasileira é construída em coletivo e Sabbag reconhece a potência dessas parcerias ao pontuar que “As parcerias funcionam como os personagens desse game que construí, elas me guiam nessa jornada, mas, fazem parte dela tanto quanto eu.”
Por Rafaela Sousa
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