Legendary – Senhoras, senhores e genderqueers, vamos ao baile!

“O que é baile (ballroom)? O baile é uma comunidade acolhedora e cativante.”

“O baile é o berço do vogue.”

“O baile foi fundado por mulheres trans latinas e negras.”

Legendary (2020 -) é um reality show estreante na temporada de 2020, contando com uma competição real e explorando o mundo e a cultura de balls. Oito Casas, formadas predominantemente por pessoas pretas e latinas da comunidade LGBTQ+ estadunidense entram na competição. Qual a competição? Buscando não apenas explorar da arte de voguear e da cultura ballroom, mas também trazer visibilidade e benefícios, pois, sejamos sinceros, só ser vistos não paga as contas, a competição tem um prêmio de 100 mil dólares.

Um pouco antes de se aprofundar sobre os concorrentes, apresentadores, jurados e os desafios já enfrentados se faz necessário dar luz a importância dessas pessoas. São pessoas reais, de bailes reais, onde essa arte e essa cultura faz sim parte da vida. Mais do que isso, são Casas formadas por famílias mil vezes mais reais (embora não obrigatoriamente menos problemáticas) do que as formadas por sangue. As Casas são as famílias que você escolhe, citando o primeiro episódio do programa.

Nesse incrível reality, capaz de trazer os rostos reais que são parte dessa cultura, as Casas competem pela glória, dinheiro e por troféus. Por muito tempo a cultura LGBTQ+ (especialmente a branca) bebeu da cultura dos bailes, das Casas, das comunidades formadas em sua maioria por pessoas trans, latinas e negras. É um fato. Já se faz necessário um reality show capaz de valorizar e visibilizar (e também financiar) cada vez mais essas pessoas e a sua cultura. 

Apresentado pelo incrível e talentoso Dashaun Wesley (com créditos de atuação na própria série ‘Pose’ em seu currículo), o primeiro episódio introduz primeiramente os jurados. Afinal, serão eles quem decidirão quem vai levar os troféus toda semana, assim como aquelas Casas que no final irão para casa. 

Como a própria chamada legendária feita por Dashaun no primeiro episódio os apresenta nessa ordem, Megan Thee Stalion (a nova rainha do hip hop), Law Roach (estilista mundialmente renomado e guru da moda), Leiomy Maldonado (um ícone vogue vinda da comunidade dos bailes) e Jameela Amil (atriz, defensora e aliada que defende a inclusão para todos). São essas as pessoas responsáveis pelo shade, pelos prêmios e pelos julgamentos ao longos dos nove desafios aos quais as Casas irão competir pelas semanas.

Troféus são tudo, são por eles que as diferentes Casas disputam nos bailes e não é diferente no programa. Ao longo dos episódios as concorrentes irão concorrer por um troféu e disputar entre si para ser a casa superior. No final do programa uma delas vai sair com o título de ‘Casa Lendária’. Mas isso não é tudo, a glória e os troféus são tudo no mundo do baile mas o prêmio para a ‘Casa Lendária’ é de cem mil dólares. A valorização monetária nunca deixa de ser um ótimo prêmio, como sabemos muito bem.

Cada um dos jurados vem de um local diferente e apresenta visões diferentes sobre o necessário para uma casa vencer. Observar isso é extremamente interessante, especialmente pelos possíveis conflitos capazes de surgir por entre eles. Afinal, é um reality show é a gente gosta do conflito, das intrigas, dos laços sendo reatados e também de pazes sendo feita. O programa mostra o por trás do palco das Casas, comentários para se derrubar, questionamento sobre roupas, penteados e maquiagem. Uma competição amigável também faz parte. Mas sempre ressaltando a competição quando se faz necessária a competição, mas união e apoio também é parte importante da cultura dos bailes e dessas comunidades. 

Atravessando relatos entre suas competições e suas apresentações, o seriado também mergulha na história das Casas competidoras e seus membros. Mais uma vez sendo capaz de perpassar as narrativas dessas pessoas reais ali, pessoas com histórias de sobrevivência e de união. Estas pessoas são famílias, nem sempre originadas de lares partidos. Existe uma multiplicidade de histórias por trás de cada Casa, cada integrante, cada vida ali presente. É importante valorizar as relações reais estabelecidas entre elas, contar essas histórias.

Dentre as Casas competidoras temos: A Casa Escada, se considerando uma fênix no mundo dos bailes é liderada pelo Pai London Escada; A Casa Ebony, uma das mais celebradas e decoradas da história é liderada pela Mãe Isla Ebony; A Casa Ninja, elas já entram servindo o nome com a liderança da casa sob a responsabilidade da Mãe Dolores Ninja; A Casa Gucci, extremamente maravilhosa e liderada pelo Pai Georgeous Gucci; A Casa West com sua rebeldia é liderada pelo Pai James West; Casa St. Laurent presente desde o documentário Paris Is Burning (1990) se faz presente na liderança da Mãe Michell’e St Laurente; A Casa Lanvin conhecida pela aclamação nas categorias de moda com sua Mãe Eyricka Lanvin; A Casa Balmain de onde se deve esperar o inesperado é liderada pelo Pai Jamari Balmain.

Isso é apenas uma curta e extremamente resumida apresentação. Porque garanto, a história por trás destas casas e dessas pessoas, vão realmente lhe envolver de várias formas. E as apresentações e figurinos usados ao longos das competições definitivamente vão tirar o seu fôlego. A série Legendary é transmitida pelo serviço de streaming HBO Max.


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Sobre o autor

Eric Magda
Cineasta graduade em Cinema e Audiovisual, produtore do coletivo artístico independente Vesic Pis. Não-binarie, fã de super heróis, de artistas trans, não-bináries e de ver essas pessoas conquistando cada vez mais o espaço. Pisciano com a meta de fazer alguma diferença no mundo.