It: Capítulo Dois – A Coisa Piorou

Depois do sucesso do primeiro filme, a continuação de It: A Coisa (It, 2017) estava com certeza entre um dos filmes mais aguardados do ano. Passada a expectativa de saber quem interpretaria Bill, Bev, Richie, Eddie, Ben, Stan e Mike na versão adulta (respectivamente James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, James Ransone, Jay Ryan, Andy Bean e Isaiah Mustafa) e a grande aceitação do público pelas escolhas, as expectativas só cresceram em torno de It: Capítulo 2 (It Chapter Two, 2019). Dirigido pelo mesmo diretor do primeiro, Andy Muschietti, o segundo capítulo possuía todos os elementos para entregar um filme divertido, assustador e empolgante, mas alguma coisa deu errado no meio do caminho. 

Com jump scares (aqueles sustos que te fazem pular da cadeira) a cada 5 minutos, o filme cria um ritmo tão repetitivo de sustos, que nos primeiros 30 minutos de narrativa, podemos prever o exato momento em que o susto virá nas próximas 2 horas e 20 minutos. E essa repetição não é só na quantidade de sustos, mas também na forma em que foram criados: uma repetição de sustos da primeira parte (já vimos como Pennywise aborda e mata crianças, pra que repetir isso – mais de uma vez! – de novo aqui?), mas também uma repetição dentro do próprio filme. Além disso, há um desperdício de personagens absurdo: Dean (Luke Roessler) (o garotinho do restaurante chinês), Victoria (Ryan Kiera Armstrong) (a menininha fofa que sequer tem contato com os protagonistas) e até mesmo Henry Bowers (Teach Grant), que tanto foi prometido como um grande vilão no primeiro filme, aqui surge quase como um adendo do roteiro no maior estilo “NOSSA, O BOWERS! Coloca ele aí em 3 cenas e tá bom”.

Apesar de tudo, o filme tem coisas muito interessantes, como os planos incomuns, um humor bem particular (especialmente nas interações de Richie e Eddie), transições de flashbacks simples, mas que funcionam de forma marcante em tela e um impressionante e perfeito trabalho de Computação Gráfica para rejuvenescer as crianças. 

Curioso como o filme bate tanto na tecla sobre Bill, agora escritor, escrever finais tão ruins numa metáfora aos próprios finais de Stephen King (que inclusive faz uma participação à lá Stan Lee) e tenta amenizar seu próprio final ao dizer isso tantas vezes… mas esse, definitivamente, não é seu maior problema. 

Infelizmente, todos os pontos positivos de It – Capítulo Dois não compensam o meio ultra-dilatado, previsível e cansativo. Um filme que desperdiçou diversas oportunidades e forças de seu roteiro, para ser mais um filme genérico de Terror, que passa bem longe do êxito e precisão de seu antecessor.