Shazam! – Diga meu nome

Warne Bros/Reprodução

Shazam! é o primeiro filme dos heróis da DC a estrear em 2019 (o outro será o Coringa que não é um herói), ainda sob um olhar de desconfiança do público, fruto ainda dos péssimos Liga da Justiça (Justice League, 2017) e Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016). Entretanto, seguindo o exemplo de Aquaman (2018), o filme consegue trazer uma nova perspectiva para o futuro da DC no cinema e um certo frescor para os filmes de super-heróis no geral.

É uma história de origem clássica, geralmente sou bem cético desse tipo de narrativa pois, além de muito básicas, elas se tornam muito repetitivas e abusam da boa vontade do público e da crítica. Todavia, em Shazam! esse recurso é necessário, pois o personagem, embora muito bem estabelecido dentro de um público que consome quadrinhos, talvez não tivesse a força necessária para segurar um longa ou chamar o público. Então, o recurso da história de origem – e algumas explicações que existem no filme – são necessários e bem conduzidos, não acarretando problemas para a narrativa.

O filme possui muitos acertos, a escolha de seu elenco, tanto o infanto-juvenil quanto o adulto, é mais que acertada, a química entre os personagens é bem construída, mérito para o roteiro que apesar de simples é bastante funcional. Zachary Levi é o carisma em pessoa e tem uma atuação muito divertida e engraçada, muito inspirado no filme Quero Ser Grande (Big, 1988). Dentre as crianças o maior destaque é para Jac Dylan Grazer que interpreta Freddy, o irmão de Billy Batson (Asher Angel). O maior acerto do roteiro é justamente na construção desses personagens seja pelas suas personalidades próprias ou na relação familiar que é desenvolvida entre eles. É muito bonito ver a mudança e aceitação de Billy em sua nova família.

Warne Bros/Reprodução

Claro que o filme não é passível de críticas, embora o segundo ato seja maravilhoso e o grande acerto do longa, ele ainda tem problemas de ritmo no primeiro ato, demorando para começar e o último ato é um pouco apressado e também não se resolve muito bem. As cenas que têm CGI em sua maioria funcionam, mas existem algumas em que é perceptível o uso dessa tecnologia, não chegou a me tirar do filme, mas incomodou um pouco. Mesmo assim, tudo isso ainda é muito pouco para tirar o brilho e inocência do filme que mantém durante toda sua duração um ótimo nível de diversão.

Depois das três pancadas que foram Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016), Esquadrão Suicida e Liga da Justiça, a DC Comics e a Waner Bros finalmente parecem entrar no eixo: , Aquaman e, agora, Shazam parecem ser o caminho certo a ser seguido no cinema. Ele é um filme pensado para um público mais infantil, isso faz com que ele tenha uma essência e coração mais puros, era o que a DC precisava para consolidar seu universo nos cinemas e dar esperança aos espectadores de filmes de super-heróis, sejam eles fãs ou não do selo.