
No dia 29 de janeiro de 2004, foi organizado, em Brasília, um ato nacional para o lançamento da campanha “Travesti e Respeito”, no Congresso Nacional. Essa campanha foi um marco na história do movimento contra a transfobia, sendo organizada por pessoas trans e travestis. Desde então, 29 de janeiro é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Este dia tem como objetivo máximo promover reflexões sobre a cidadania das pessoas trans, travestis e não-binárias (pessoas que não se percebem pertencentes a um único gênero).
O cinema pode ser uma ferramenta poderosa na construção dessas reflexões pois é capaz de retratar vivências distantes do nosso cotidiano e reproduzir diferentes pontos de vista, portanto é uma máquina de empatia que pode ser apreciada sem moderação. Enquanto lutas por fomento à diversidade e acesso são travadas paralelamente, é preciso acreditar que, apesar de haver um mercado hegemônico, uma presença predatória de estúdios estrangeiros nas salas de exibição nacionais e uma cultura de valorização totalmente apontada para o colonizador que faz com que filmes muito parecidos, feitos sempre pelas mesmas pessoas, cheguem mais facilmente ao público em geral, você, enquanto espectador, ainda pode ter o controle nas mãos. Você decide que tipo de vozes quer ampliar, que discursos quer endossar, ignorada e, até mesmo, silenciar. Quantos dos filmes que você já viu, são protagonizados por pessoas trans? Quantos foram dirigidos, escritos, por pessoas trans?
A nossa coluna Veja Mulheres foi criada justamente para tentar balancear um pouco às coisas (este ano nós completamos seis anos de existência, inclusive!) e, este mês, para celebrar o mês da visibilidade, temos uma lista colaborativa de indicações de cinco obras dirigidas por mulheres trans, travestis e transfemininas.
Vacas Brancas Preguiçosas
(2025)
Direção: Asaph Luccas

Após chamar uma colega de classe de “vaca branca preguiçosa”, uma jovem estudante negra entra em uma saga virtual para se livrar de um cancelamento.
Onde assistir: –
Red Sonja
(2025)
Direção: MJ Bassett

Sonja (Matilda Lutz) é uma guerreira ruiva que começou a lidar com espadas ainda criança, todas as noites, sempre escondida do pai e dos irmãos. Vivia feliz até o dia em que mercenários destruíram sua família e a estupraram. Recuperada, poderosa e solitária, passa a viver para guerrear, sempre usando seu biquíni prateado que também funciona como armadura.
Onde assistir: –
Fronteiriza
(2025)
Direção: Rosa Caldeira e May Mendl

Lucca é um jovem trans da periferia de São Paulo, busca o pai que nunca conheceu na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Lá conhece Diego, um paraguaio que revela os mistérios de Foz do Iguaçu.
Onde assistir: –
Tea for Two
(2018)
Direção: Julia Katharine

Silvia (Gilda Nomacce) é uma cineasta de meia-idade em crise com sua vida. Na mesma noite em que é surpreendida pela visita da ex-esposa, que a largou há alguns anos, conhece uma outra mulher que a fascina.
Onde assistir: Globoplay
Coming Out
(2020)
Direção: Cressa Maeve Áine

Uma história de orgulho e aceitação contada através dos personagens de Godzilla.
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Roteirista e podcaster bacharel em Cinema e Audiovisual. Ex-potterhead. Escuta música triste pra ficar feliz e se empolga quando fala de The Last of Us ou Adventure Time. É viciado em convencer as pessoas a assistirem One Piece, apreciador dos bons clássicos da Sessão da Tarde e do Cinema em Casa e, acima de tudo, um Goonie genuíno.