Spider-Man: Miles Morales – Agora é sua vez

Em 2018, Marvel’s Spider-Man tomou para si a responsabilidade de apresentar ao mundo dos jogos uma nova experiência do Cabeça de Teia. Os jogos anteriores do personagem não tinham sido muito bem recebidos pela crítica e pelo público, portanto era necessário uma reformulação do personagem, não apenas no mundo dos jogos, mas em outras mídias também. Assim, o jogo de 2018 é responsável pelo início dessa mudança, passando pelo excepcional Aranhaverso no cinema. O mundo enfim tinha uma nova perspectiva do personagem: Miles Morales. Seu nome não era novo nos quadrinhos, mas sua imagem nunca havia sido explorada em grandes mídias como o cinema. Devido ao sucesso do público e crítica com o Aranhaverso, era de se esperar mais produtos relacionado ao personagem. E esse dia chegou.

Em 2020, Spider-Man: Miles Morales teve sua estreia nos jogos, e seu sucesso foi imediato, tanto pelo carisma quanto pelos novos elementos de jogabilidade instaurados. Mas vamos com calma. Ainda em 2018, o personagem havia sido introduzido na campanha principal de Marvel’s Spider-Man. Embora ainda não possuísse os poderes do super-herói, o jogador podia controlar Miles em partes específicas do jogo. Todo seu background estava sendo construído, enquanto Peter Parker já estava consolidado como Homem-Aranha naquele universo, Miles Morales ainda estava em formação, e o jogo fez questão de mostrar isso, afinal era sua primeira aparição em um mundo novo dos games e o jogador precisava saber o que motivava o personagem e suas principais questões. 

O jogo mais atual retoma essa apresentação e cita o crescimento. A princípio o jogo seria o treinamento dele com Peter para se transformar no Aranha, mas devido a um contratempo, Miles se encontra sozinho dentro dessas adversidades: ele comete erros e aprende com eles – uma metáfora da vida – o qual não podemos ser duros demais conosco. Esse elemento de roteiro e recurso narrativo é o chamariz do jogo que conta demais com o carisma do personagem. É divertido jogar com o Miles, o suficiente para você esquecer da existência do Peter. Esse é o grande mérito do jogo: contar uma história nova e que faça você se engajar nela.

O engajamento se dá por diversos motivos: além do carisma, o jogo conta uma história a partir de uma visão de exploração do povo negro e latino de Nova Iorque. É impossível não se sensibilizar com algumas interações ou falas de alguns personagens. O jogo aborda temas como racismo e exploração do trabalho, embora não estejam de forma panfletária, a sutileza extrapola essa barreira e deixa bem clara a real mensagem do jogo. Isso faz de Miles Morales um jogo atual e necessário, não apenas por ter um protagonista negro e latino, mas pelo que ele representa em um mundo no qual mais casos de cultura do ódio são cultivados, Miles Morales é uma luz nessa luta e por isso este jogo é tão importante.

Falando um pouco mais dos elementos de jogabilidade, basicamente ela permanece igual ao jogo de 2018, com exceção dos poderes característicos do Miles, como a invisibilidade e a capacidade de gerar eletricidade. Além disso, é fisicamente sensível a diferença entre Miles e Peter, enquanto o veterano tem golpes mais pesados e eficientes, Miles é mais leve e ainda demonstra aprendizado ao longo da campanha. Isso torna a jogabilidade com Miles muito mais engajante e interativa, afinal você aprende tudo ao mesmo tempo que o personagem, gerando, assim, uma conexão entre jogador e protagonista.

Embora seja um jogo relativamente curto e não apresente nenhum vilão clássico do Cabeça de Teia (com exceção do Rino), Spider-Man: Miles Morales acerta em quase todos os pontos em que se propõe: apresenta um personagem novo e aprendemos com ele, mantém as mecânicas que deram certo e incluem novas, além de contar uma história socialmente relevante e narrativamente interessante de ser jogada. Miles Morales vai além dos estereótipos, é uma jornada pessoal do protagonista e do jogador a fim de descobrir quem somos e, ao final, descobrimos que podemos ser apenas nós mesmos, com nossos erros e aprendizados. Vai, Miles. Agora é sua vez.


VEJA TAMBÉM

Marvel’s Spider-Man – Uma boa semente para os futuros jogos da Marvel

Homem-Aranha no Aranhaverso – O filme que o teioso (e seus fãs) sempre mereceram