The Legend of Zelda Majora’s Mask – 20 anos do mais diferente jogo da franquia Zelda

O Nintendo 64 foi responsável pelo grande desenvolvimento de jogos 3D das franquias da Nintendo. O primeiro foi Super Mario 64 que foi usado como jogo de lançamento para o console novo da big N em 1996. Em seguida tivemos The Legend of Zelda: Ocarina of Time em 1998, revolucionando o gênero e a franquia Zelda. O que muita gente não sabe é que, segundo os livros e databooks oficiais da Nintendo, no final de Ocarina of Time a linha temporal da franquia é dividida em três: a do herói adulto, na qual Link vence o vilão e permanece em sua forma adulta; a do herói derrotado, no qual Link perde para o vilão; e a do herói criança, na qual Link é enviado para o passado para recuperar sua infância perdida no jogo Ocarina of Time.

The Legend of Zelda Majora’s Mask (2000) é uma continuação direta de Ocarina of Time e se passa na linha temporal do Link criança, na qual a princesa Zelda, por meio do poder da Ocarina do Tempo, envia novamente o protagonista para recuperar sua infância perdida. Logo no início do jogo Link procura por uma amiga que acreditamos ser a fada Navy, que o acompanha no jogo anterior, aquela que ficava falando o tempo todo “Hey, listen”. Logo no início da aventura, o personagem tem sua Ocarina roubada e ao perseguir os ladrões acaba caindo em um mundo paralelo a Hyrule onde temos a missão de evitar a destruição do mundo com a queda da lua, recuperando a Ocarina do Tempo e reunindo forças para enfrentar o vilão do jogo, o demônio Majora.

Apesar de ter sido lançado apenas 2 anos depois de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, Majora’s Mask apresenta uma melhora gráfica considerável, principalmente se levarmos em conta a limitação do cartucho do Nintendo 64. As formas dos itens, dos cenários e dos personagens estavam mais polidas e com um visual “menos quadrado” em relação ao seu irmão mais velho. O mesmo se aplica a sua jogabilidade que aproveita o melhor de seu antecessor e apresentar melhoras em diversos aspectos, principalmente na hora de enfrentar inimigos e explorar os cenários. A trilha sonora também mantém um alto nível com temas de seu antecessor retrabalhados e com adição de músicas novas, tudo para contribuir para o clima soturno do jogo.

Aliás, essa é a maior mudança, o clima da história. Todos os jogos da franquia Zelda apresentam temas mais voltados para fantasia, e embora tratem de temas como morte, destruição e sacrifício, nunca o fizeram de forma pesada ou tensa. Majora’s Mask é o único que vai na contramão disso, seja pela já citada trilha sonora mais pesada ou por aspectos visuais: o jogo é notadamente mais escuro e com texturas mais sombrias. O design dos personagens também é alterado e alguns são dignos dos filmes de terror mais assustadores possíveis. É interessante observar esse contraste principalmente para quem jogou Majora’s Mask logo após Ocarina of Time (meu caso) e embora o jogo não tenha linguagem de jogo de terror como jump scares, certamente me deu bastante medo na época. 

The Legend of Zelda Majora’s Mask é um jogo bem desconhecido do público em geral, muito por conta do enorme sucesso de Ocarina of Time, porém ele é exaltado pelos fãs da franquia da Nintendo, sendo continuamente lembrado e celebrado como o melhor jogo da história (ou um dos melhores). No meu caso, fica o sentimento de nostalgia de jogá-lo na locadora ou de alugar o vídeo game com ele nos grandes feriados no ano 2000; também a certeza de estar diante de um dos melhores jogos da franquia e de sua geração, reservando um lugar no meu coração até hoje. 

Ps: The Legend of Zelda Majora’s Mask também recebeu um porte para o Nintendo GameCube e um remake para o Nintendo 3DS, ambos com melhorias na parte gráfica e de jogabilidade. 

 

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Sobre o autor

Thiago Henrique Sena
Atual Vice-presidente da Aceccine. Bacharel em Cinema, formado em Letras e graduando de Ciências Sociais. Apaixonado por literatura, poesia, pintura, animes e mangás. Ama os filmes do Bruce Lee, do Martin Scorsese e do Sergio Leone e gosta de cinema latino-americano e asiático. Escreve sobre jogos, cinema, quadrinhos e animes. Considera The Last of Us e Ocarina of Time os melhores jogos já feitos e acredita que a vida seria muito melhor ao som de uma trilha sonora de Ennio Morricone ou de Nobuo Uematsu.