Final Fantasy XV – O coração do Rei

Lançado em novembro de 2016, o décimo quinto episódio da franquia Final Fantasy trazia, após um longo hiato, a continuação da franquia principal de jogos da Square Enix. Seus dois últimos jogos datavam de 2009 com Final Fantasy XIII e 2010 com MMORPG Final Fantasy XIV. Lógico que ao longo desses quase oito anos diversos conteúdos complementares a esses dois jogos foram surgindo, DLCs, expansões, etc. Contudo a comunidade de Final Fantasy clamava por mais um capítulo de sua saga principal. Final Fantasy XV chega com o hype de ser o FF da nova geração (PS4, Xbox One e PCs) e trouxe consigo diversas novidades, sobretudo em relação à jogabilidade.

Indo por partes, é talvez o Final Fantasy que apresenta menos personagens jogáveis, apenas 4: Noctis, Gladiolus, Prompto e Ignis, sendo Noctis o protagonista do jogo. Ele é o príncipe de sua cidade e sai em uma missão para seguir para seu casamento. A partir daí, várias coisas se desenrolam e a narrativa vai ficando cada vez mais pesada e com ar de urgência. O uso de poucos personagens pode ser considerado um acerto, pois eles interagem muito e consequentemente o vínculo deles aumenta, proporcionalmente ao vínculo que os jogadores têm com esses quatro personagens. São diversas formas de aumentar a empatia e conhecer melhor seus personagens, todos têm um background minimamente desenvolvido e que é explorado com DLCs que não fazem parte da campanha principal.

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O jogo também é gigantesco. Talvez seja o maior mapa em um jogo de Final Fantasy até o momento (tudo leva a crer que isso mudará com Final Fantasy VII Remake). Essa grandiosidade é recompensada e bem distribuída com uma enorme variedade de inimigos (muitos já conhecidos da série e outros novos), de paisagens, de missões paralela, de personagens etc. É possível se perder no meio de tantas coisas que podem ser feitas aqui.  As cidades são belíssimas, uma das coisas que sempre me chamou atenção em jogos dessa franquia são os designs de suas cidades, ao longo desses mais de 30 anos desde o lançamento do primeiro jogo, diversas construções, histórias e emoções foram passadas nos muros de diversas cidades. Quando mais novo, eu imaginava como seria morar nessas cidades de Final Fantasy e de RPGs japoneses no geral, sempre me divertia imaginando esse cotidiano e no décimo quinto capítulo da franquia não poderia ter sido diferente.

A trilha sonora sempre foi uma marca característica da série Final Fantasy, nesse jogo Nobuo Uematsu dá lugar à Yoko Shimomura, conhecida por criar trilhas de jogos como Kingdom Hearts, Parasite Eve e Street Fighter. Shimomura entrega em FFXV uma trilha poderosa e com ar dramático que acompanha muito bem o desenrolar da narrativa e dos personagens. Além de contar com uma versão de Stand by Me performada pela Florence + the Machine, o jogo tem como destaque a trilha APOCALYPSIS NOCTIS e Stand Your Ground de autoria de Shimomura.

Os maiores problemas do jogo estão relacionados à sua jogabilidade e performance. O sistema de batalhas é muito dinâmico e você só controla o Noctis. Isso em si não seria um problema, mas quando muitas coisas acontecem ao mesmo tempo na tela a câmera costuma dar uma “bugada” e você perde de vista tanto o personagem quanto a ação, isso acontece diversas vezes ao longo da jogatina, prejudicando e irritando o jogador. A performance é bastante questionável, sobretudo nas cenas noturnas ou quando acontece alguma cinemática, é notório e feio, as imagens ficam pixeladas e parecendo jogos de gerações bem passadas, o que é uma pena, pois quando o jogo está mais parado ou durante o dia ele entrega um dos gráficos mais bonitos já vistos em sua geração, essa inconstância é muito frustrante.

Final Fantasy XV foi um jogo bastante aguardado e que entregou o que muitos queriam. Sua jogabilidade e performance, principalmente nos consoles, são muitas vezes irritantes e estressantes, mas são compensadas com protagonistas carismáticos, belas cidades e paisagens, uma exploração quase infinita e diversas criaturas e itens para se ir atrás. Além disso entrega uma história sólida com ares dramáticos e um final acachapante, capaz de transformar todos aqueles que têm um coração gelado em um coração bondoso e martírico de um Rei.

Sobre o autor

Thiago Henrique Sena
Atual Vice-presidente da Aceccine. Bacharel em Cinema, formado em Letras e graduando de Ciências Sociais. Apaixonado por literatura, poesia, pintura, animes e mangás. Ama os filmes do Bruce Lee, do Martin Scorsese e do Sergio Leone e gosta de cinema latino-americano e asiático. Escreve sobre jogos, cinema, quadrinhos e animes. Considera The Last of Us e Ocarina of Time os melhores jogos já feitos e acredita que a vida seria muito melhor ao som de uma trilha sonora de Ennio Morricone ou de Nobuo Uematsu.