Toy Story 4 – É divertido, mas dói um pouquinho

Depois de Toy Story 3 (2010), muita gente pensou que não iria mais ver a turminha de brinquedos nas telas de cinema, mas depois de nove anos a franquia voltou com uma nova história e alguns novos personagens.

Em Toy Story 4 (2019) nos deparamos com um Woody triste por ter sido deixado de lado nas brincadeiras de sua nova dona, a garotinha Bonnie. No entanto, ele tenta se manter firme no propósito de ser o amigo fiel e fazer de tudo para deixar sua criança feliz. 

Na sua ida à escola, Bonnie cria um novo brinquedo: Garfinho. Porém, Garfinho não gosta da ideia de ter se tornado um brinquedo e aproveita para fugir quando todos os brinquedos estão em um trailer junto com a Bonnie e seus pais, que resolveram fazer uma viagem. A história do filme começa a se desenrolar quando Woody decide ir atrás de Garfinho para trazê-lo de volta para Bonnie. Para complicar um pouco mais as coisas, Woody vai parar em um antiquário e se depara com uma boneca chamada Gabby Gabby, que quer roubar a caixinha de voz dele, pois a dela é defeituosa.

Além de Gabby Gabby, outros novos brinquedos são apresentados, como o Patinho e o Coelhinho, que são bichinhos de pelúcia, e o Duke Caboom, um boneco dublê. E quem dá voz a esse personagem é o mais novo queridinho da internet. Isso mesmo, o Keanu Reeves. Mas não tem só personagem novo. No filme também acontece um importante reencontro: Woody reencontra a boneca Betty e suas ovelhas, que pertenciam à irmã de Andy. Betty agora  não é mais de nenhuma criança e vive se aventurando.  

Então, durante o longa, Woody precisa escapar de Gabby Gabby e levar o Garfinho de volta para Bonnie antes que ela volte para casa. Para isso, ele conta com a ajuda de todos esses personagens novos, além de Betty, Buzz e os outros brinquedos que ficaram no trailer. 

O filme tem a clara intenção de atrair um novo público para a franquia. Quem não acompanhou a história desde o começo, consegue entender e aproveitar a animação. A narrativa quase não explora os personagens mais antigos. São poucas aparições e com poucas falas. Quem ainda consegue ter algum destaque é o Buzz, que sai do trailer e vai atrás do Woody. 

Outro ponto importante é a trajetória do protagonista. O longa traz um Woody diferente, que no começo está meio perdido e deslocado, mas depois se encontra e a gente percebe que ele tem novos objetivos. No final, o posicionamento dele é até um pouco contrário ao que foi construído ao longo dos outros filmes, mas é compreensível e mostra uma evolução do personagem. 

Ainda falando sobre evolução, a mudança da boneca Betty é algo que me deixou bem feliz. Nos filmes antigos ela tinha aquela aparência delicada e parecia ser frágil, mas em Toy Story 4 ela reaparece forte, independente e decidida, com postura de líder, mas a delicadeza do visual ainda se mantém e isso ajuda a quebrar alguns estereótipos que existem em relação às mulheres. 

É interessante também como o longa explora o universo de outros gêneros dentro do filme. Os momentos em que Gabby Gabby e seus assistentes aparecem são meio assustadores. A obra brinca com alguns elementos de filmes de terror aplicados para o público mais infantil, com um tom leve, mas sem deixar de assustar um pouquinho. 

O filme explora alguns temas, como empatia, desapego, mudanças e aceitação. É legal ver como esses assuntos são trabalhados de maneira leve, mas que tocam e provocam reflexões, principalmente para quem acompanha a franquia desde o início. De maneira geral, o filme agrada. É divertido e emocionante, mas pode sim desapontar alguns fãs mais antigos. Eu fiquei muito dividida. Ao mesmo tempo que gostei, senti que não era aquilo que eu estava esperando, até porque eu não estava esperando mais nada. O final do terceiro filme foi tão perfeito que poderia ter parado ali. Acho que a intenção da Pixar com esse quarto Toy Story era dizer: atenção fãs antigos, estamos mudando o rumo da história. Não esperem ver os mesmos personagens para sempre. Você cresceu. Faça como o Andy.