Decerto há uma evolução entre Cine Hollíudy, filme dirigido por Halder Gomes em 2013 e o Shaolin do Sertão, filme de 2016. A evolução não se dá só ao nível da decoupagem, mas a nível de roteiro, o claro problema em adaptar um curta-metragem para um longa, presente no filme de 2013, não é encontrado aqui.
O maior destaque para o filme, também presente no filme anterior, é o desejo do diretor de resgatar um tempo que, claramente para ele, é de fundamental importância, talvez um saudosismo da infância ou do período que começou a ir ao cinema. Fernando Pessoa tem uma quadra que diz: “Saudades, só portugueses. Conseguem senti-las bem,. Porque têm essa palavra. Para dizer que as têm”. Talvez esse filme seja isso, uma imensa saudade. As referências aqui são bem claras e, de certo modo comoventes. A primeira e mais clara são os filmes de luta e kung fu dos anos 70, principalmente aos filmes do grande mestre Bruce Lee, tanto no treinamento quanto nos momentos de sonhos, e ao filme Rocky com o treinamento do roubo da galinha, simulando o icônico treinamento de Mickey e Rocky no primeiro filme.
Por fim, O Shaolin do Sertão possui mais acertos que erros, as referências aos filmes de Kung Fu e aos slapsticks se sobressaem ao humor pautado nos aspectos regionais. É um filme cearense que vale a pena assistir no cinema, fortalecendo e incentivando, assim, a produção de filmes aqui.

Doutorando em Comunicação, sócio da Aceccine e da Abraccine, e um dos fundadores do SMUC. É bacharel em Cinema e licenciado em Letras. Apaixonado por cinema, literatura, histórias em quadrinhos, k-dramas e animes, ama os filmes de Bruce Lee, Martin Scorsese e Sergio Leone, além de gostar de cinema latino-americano e asiático. Escreve sobre jogos, cinema, quadrinhos e animes. Considera The Last of Us e Ocarina of Time os melhores jogos já feitos e acredita que a vida seria muito melhor ao som de uma trilha musical de Ennio Morricone ou Nobuo Uematsu.