Rush: No Limite da Emoção – Um amor pelo automobilismo

 

Desde pequeno o automobilismo despertou atenção em mim. Lembro de esperar meu tio chegar para passearmos de carro, ele me colocava em seu colo e eu tinha “total controle” do volante e ficávamos dando voltas no bairro. Ainda pequeno, eu comecei a gostar de corridas de carros. Em especial, os da Fórmula 1.
Comecei a acompanhar a principal categoria do automobilismo em 1988, tinha eu dois anos de idade, mas lembro perfeitamente o primeiro título mundial do Ayrton Senna, isso na época fez com que eu amasse ainda mais corridas e acompanhasse todos os domingos, muito apoiado pelos meus pais que me deixavam até dormir de madrugada para acompanhar as corridas do Japão.
Hoje, eu ainda acompanho e tenho alguns livros sobre o assunto, muito me interessa a história de certos esportes e de suas personalidades. Durante os quase 70 anos de categoria, surgiram diversos pilotos e campeões mundiais, evidentemente a cada novo campeonato novas disputas surgiam e novas rivalidades afloravam. Entre as quais destaco nesse texto a rivalidade surgida nos anos 70 entre o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda, pois é justamente essa rivalidade que serve de background para o filme Rush: No Limite da Emoção (Rush, 2013).
O filme começa com um flahsfoward e depois retorna ao início dos anos 70, quando os dois pilotos ainda correm em categorias mais baixas que a F1, eles se conhecem em um acidente, no qual o carro de Niki Lauda roda e ele acaba perdendo a corrida, desde então a rivalidade entre eles só faz crescer. O filme avança no tempo e vai mostrando como cada um chegou a categoria principal do automobilismo, mas grande parte se passa no ano de 1976 quando Niki Lauda pilota uma Ferrari e James Hunt uma McLaren.
O filme desenvolve os personagens de maneira igual, não é possível perceber um protagonista, avalio como sendo proposital devido à grande rivalidade entre os pilotos. Acompanhamos o cotidiano de cada piloto e suas estratégias para vencer as corridas e seus dramas pessoais. O tempo de tela é bem dividido e o roteiro bem feito, eu não consegui torcer para um, os dois personagens são ao mesmo tempo profundos e interessantes. Acontece no meio do filme um acidente que foi real, Niki Lauda sofre um acidente e uma queimadura muito grave. Ele fica hospitalizado durante vários dias, mas tem uma recuperação rápida e ainda volta a disputa daquele campeonato.
Sobre o filme, os dramas pessoais dos personagens são bem acentuado assim como a rivalidade dos dois, é algo um pouco simbiótico: um não pode viver sem o outro; um só pode crescer para superar o outro. É muito bonito a forma como isso é construído, sempre atentando para o lado desportivo, há uma cena que considero muito bonita, quando Niki Lauda retorna do seu acidente e um repórter faz um questionamento se ele acha que a esposa dele continuará o casamento mesmo ele estando deformado, logo após a entrevista James Hunt toma satisfação com esse repórter, Niki não fica sabendo disso, é uma conduta de ética entre os dois de muito respeito apesar da aflorada rivalidade.
No tocante aos outros aspectos do filme, ele é bem dirigido e bem fotografado, as atuações de uma maneira geral estão boas, com destaque para Daniel Brühl como Niki Lauda, suas expressões e gestos ficaram idênticos ao do piloto. Porém os grandes destaques para o filme vão para a montagem, esse filme é muito bem montado, as cenas têm o ritmo preciso, quase de um F1, em nenhum momento o filme fica enfadonho e as corridas são emocionantes, com destaque para a corrida do Japão para decisão do campeonato de 1976; e para a trilha sonora composta por Hans Zimmer e com músicas pops da década de 70.
Rush é um excelente filme tanto para quem gosta de uma boa história quanto para quem é fã de Fórmula 1 (se você gosta dos dois é um prato cheio). A única coisa ruim ao ver esse filme é que você sai com a expectativa em cima querendo ver outros do gênero, eu adoraria ver um filme com a rivalidade de Senna e Prost no final dos anos 80 e início dos 90.